segunda-feira, 24 de março de 2008

Eduardo Chirinos

Poema com cães


Conheci-o em Istambul.
Da sua boca pendia um cigarro turco
tinha os olhos pequenos
e uma vaga expressão de príncipe arruinado.
Nunca mais voltei a vê-lo, mas comprei o seu retrato
num leilão nos arredores de Londres.
Os meus filhos inventam subterfúgios para não o olharem,
as visitas desculpam-se, inventam mil histórias,
preferem não vir.
A minha mulher acaricia o lombo dos cães.
Não os teme. Diz que são amigos do homem.


(versão minha)

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