segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Günther Grass

A fortaleza cresce



A terra jaz em pousio, alimento de gralhas e corvos agora.
As barreiras proliferam e, de um modo nunca antes feito,
desconfiados, ao longo da vedação, cães desconhecidos correm.
Temos que pagar: em dinheiro, e bem caro.

Porque o medo centro-europeu - rico e vulnerável -
cheira a suor nos seus rascunhos para um muro defensivo:
como uma fortaleza a Terra de Novembro quer agora segurança
quanto a Negros, Árabes, Judeus, Turcos, Ciganos.

Como fronteira a leste a Polónia servirá de novo:
assim, velozes, repensamos a história - em proveito próprio.
Construir castelos sempre foi a nossa maior alegria,
levantar muralhas, escavar o fosso;
e contra a brutalidade, depressões, estupidez e ataques de melancolia
sempre algum Hölderlin aliviou com poemas o nosso fardo.



(versão minha a partir da tradução inglesa de Michael Hamburguer, reproduzida em The Faber Book of 20th-Century German Poems, introdução e selecção de Michael Hofmann, Faber and Faber London, 2005, p. 128.)

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