quarta-feira, 22 de outubro de 2008

James P. Lenfestey

Filha



Uma filha não é uma nuvem passageira, antes permanente,
ligando a terra e o céu com a sua sombra.
Ela adormeceu lá em cima como um enigma numa história,
espalhando folhas pelas escadas, depois ar frio, quente depois.
Nós que aos sessenta deveríamos saber tudo, nada sabemos.
Nós que ficamos taciturnos e desorientados pela incerteza do tempo.
Nós ajoelhamo-nos, as palmas das mãos unidas, diante deste altar a florescer.



(versão minha; original reproduzido aqui; pode reler-se, em regime de complemento e contraste, este outro poema sobre outros pais e outra filha.)

1 comentário:

mfc disse...

Muito e muito bonito.