sábado, 16 de maio de 2009

Maggie Anderson

Cuspindo para as folhas



Em Spanishburg há rapazes com calças de ganga justas,
lama nas botas de vaqueiros, que usam grandes chapéus
com penas, penas de doninha dizem-me eles.
Não querem estar na escola, mas estão.
Alguns professores preocuparam-se o suficiente para os agarrar. Ao contrário
dos seus primos magros e desgrenhados, esses rapazes na Rua
Principal de Matoaka em Outubro, que se recostam nos parquímetros
e cospem para as folhas. Por causa deles, alguém
irá pensar que precisamos de uma guerra, que a melhor solução
para eles será pegar nos seus chapéus e penas,
nas suas belas maneiras de rústicos, e arrastá-los para longe,
para o Vietname, ou El Salvador. E eles irão.
Irão da Virgínia ocidental, das colinas e das estradas interiores
que ziguezagueiam como políticos por entre as árvores, e irão combater,
não porque saibam porquê mas porque o que sabem
é combater. O que sabem resume-se às suas penas,
aos seus braços fortes e descarnados, ao modo
como cospem para as folhas.



(versão minha; original reproduzido em American poetry now, organização de Ed Ochester, University of Pittsburgh Press, Pittsburgh, 2007, p. 2).

2 comentários:

Cristina Gomes da Silva disse...

Ao ler este poema, talvez pela proximidade das notícias, fiquei a pensar nos jovens da Bela Vista.

Lp disse...

Eu também.