Em Spanishburg há rapazes com calças de ganga justas,
lama nas botas de vaqueiros, que usam grandes chapéus
com penas, penas de doninha dizem-me eles.
Não querem estar na escola, mas estão.
Alguns professores preocuparam-se o suficiente para os agarrar. Ao contrário
dos seus primos magros e desgrenhados, esses rapazes na Rua
Principal de Matoaka em Outubro, que se recostam nos parquímetros
e cospem para as folhas. Por causa deles, alguém
irá pensar que precisamos de uma guerra, que a melhor solução
para eles será pegar nos seus chapéus e penas,
nas suas belas maneiras de rústicos, e arrastá-los para longe,
para o Vietname, ou El Salvador. E eles irão.
Irão da Virgínia ocidental, das colinas e das estradas interiores
que ziguezagueiam como políticos por entre as árvores, e irão combater,
não porque saibam porquê mas porque o que sabem
é combater. O que sabem resume-se às suas penas,
aos seus braços fortes e descarnados, ao modo
como cospem para as folhas.
(versão minha; original reproduzido em American poetry now, organização de Ed Ochester, University of Pittsburgh Press, Pittsburgh, 2007, p. 2).
2 comentários:
Ao ler este poema, talvez pela proximidade das notícias, fiquei a pensar nos jovens da Bela Vista.
Eu também.
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