sábado, 11 de julho de 2009

Jan Heller Levi

Nada mau, papá, nada mau



Penso que és mais tu próprio quando nadas;
cortas a água a cada braçada,
a maneira curiosa como respiras, a tua boca aberta
como se estivesses a bocejar.

Não és nem fantástico nem um desastre
no percurso daqui para ali.
Não ganharás medalhas, papá,
mas também não irás ao fundo.

Penso em como tudo poderia ter sido diferente
caso tivesse avaliado o teu amor
como avalio o teu estilo livre, a tua mariposa,
o teu estilo de bruços.

Mas eu sempre pensei que me estava a afundar
naquele oceano gelado entre nós,
sempre pensei que te movias demasido devagar para me salvares
quando afinal o fazias o mais depressa que podias.





(versão minha; original reproduzido em Poetry 180, a turning back to poetry, organização e introdução de Billy Collins, Random House, Nova Iorque, 2003, p. 5).

Sem comentários: