Não és exactamente bela.
És inexactamente bela.
Deixas a erva daninha crescer junto à amoreira
E a amoreira cresce junto à casa.
Tão perto, no particular silêncio
De uma noite ventosa, que raspa a parede
E varre o dia até que adormecemos.
Uma criança disse-o, e pareceu verdadeiro.
"As coisas que se perderam são todas iguais."
Mas não é verdade. Se te perdesse
O ar não se moveria, nem a árvore cresceria.
Alguém arrancaria a erva daninha, minha flor.
O silêncio deixaria de te pertencer. Se te perdesse
Teria que pedir à erva que me deixasse adormecer.
(versão minha; original reproduzido em The invisible ladder, seleccção e organização de Liz Rosenberg, Henry Holt and Company, Nova Iorque, 1996, p. 7).
1 comentário:
Belo este poema! E também os outros. E também este blogue, chegado assim no clicar dos acasos.
~CC~
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