domingo, 27 de setembro de 2009

Ivan Krustev

A história apócrifa da porcelana



A paixão pela porcelana, Europa do século XIX.
Serviços, elefantes e copos.
O mundo é vasto e bom,
Distinto, frágil, aristocrático.
E há algo para além disto,
O horizonte ergue-se transparente.
A América é só uma costa.
E a China um gato preto.
Montesquieu continua a redigir
As suas cartas sobre filósofos.
Os eruditos usam perucas
E as senhoras - flores.
Os soberanos não são dementes
E, no entanto, não são grandes inteligências.
Nenhum fantasma persegue a Europa
E o amor é fantasmagórico.
Infelizmente os poetas são de salão,
Felizmente os seus poemas não.
E a liberdade, como um jarro,
Está no centro do pensamento.
A nova história começa
Com fragmentos de porcelana.
Enterrada em pequenos elefantes brancos
Deixamos a idade da Razão para trás.



(versão minha a partir da tradução inglesa de Belin Tonchev, reproduzida em Young poets of a new Bulgaria- an anthology, selecção e tradução de Belin Tonchev, introdução de Sebastian Barker, Forest Books, Londres, 1990, p. 42).

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