segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Marie Howe

Depressa



Paramos na lavandaria e na mercearia
e na estação de serviço e no mercado da fruta e
Despacha-te querida, digo eu, depressa,
enquanto ela vai correndo dois ou três passos atrás de mim
com o casaco azul aberto e as meias descaídas.

Para onde quero eu que ela se apresse? Para a sua sepultura?
Para a minha? Para que se descubra um dia finalmente adulta?
Hoje, cumpridas todas as tarefas, digo-lhe,
Desculpa-me querida estou sempre a dizer-te que te despaches -
Vai tu à frente. Faz tu de mãe.

Então, Despacha-te, diz ela, muito segura, olhando
para trás, para mim, rindo-se. Despacha-te queridinha, diz ela,
despacha-te, depressa, tirando-me as chaves de casa das mãos.



(versão minha; original reproduzido aqui).

1 comentário:

CristinaGS disse...

Já se me soltou uma lágrima :)
Bom dia!