quinta-feira, 29 de outubro de 2009

David Bottoms

A mão esquerda do meu pai



Por vezes a mão do meu velho voa sobre o seu joelho, agita-se
em círculos malucos, e regressa à sua base.

Por vezes fica apoiada durante uma hora nessa proeminência ossuda.

E por vezes quando o meu velho tenta falar, a sua mão sacode-se
no ar, perseguindo uma palavra, depois empoleira-se de novo

na barra do andarilho ou no braço de uma cadeira.

Por vezes quando o anoitecer se fecha sobre a sua janela e a chuva
se tinge de negro até se tornar gelo na soleira, ela treme como um pardal numa tempestade.

Então a noite escura cai, e treme menos, e menos, até que sossega.



(versão minha; original reproduzido aqui).

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