Eu estava numa paragem de autocarro
numa destas tardes, esperando
pelo "2". Um tipo
mais velho esperava também.
Olhei-o com atenção. Ele
captou o meu olhar e arreganhou um sorriso
onde faltavam alguns dentes. Queres
assinar o meu casaco? disse ele.
Estendeu-me logo uma caneta. Trazia
vestido um casaco de lona imundo que
exibia assinaturas por todo
o lado, centenas delas, talvez
milhares.
Estou a ver
se apanho toda a gente,disse ele.
Assinei. Na pequena
superfície de um dos bolsos.Por vezes lembro-me:
sou uma parte de um todo.
5 comentários:
Fantástica a história, e bem bonita a conclusão.
~CC~
O último verso tem muito que se lhe diga...
Somos feitos de muitos pedacinhos de Eu que não fazem sentido nenhum se não forem matizados com muitos pedacinhos de Outros, não é ? Abraço de cá.
Pois tem muito que se lhe diga, o último verso: que falta faz um grão de areia numa praia? Esta: sem nenhum grão de areia, não há praia.
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