Eles estavam a defecar em público, disse ele,
e outro disse,
e a copular também,
e eu pensei, quantos, mil?
Todos os sem-abrigo estavam a copular em público? Que espectáculo.
Então alguém disse,
não eram todos os sem-abrigo,
e nós pudemos respirar melhor,
só uns quinze, se tantos, e eu pensei
que mesmo assim eram uns quantos para fazerem aquilo em público,
mas quando já estávamos no fim
parecia
que só tinha sido uma de cada:
uma cópula, uma defecação,
e então alguém acabou por dizer,
não é preciso ser um sem-abrigo para se fazer isso.
(versão minha; original reproduzido em Poetry like Bread: Poets of the political imagination, selecção de Martín Espada, Curbstone Press, 4ª edição, 2007, p. 42).
3 comentários:
:-)
Muito bonito (bonito é aquele adjectivo que se usa quando não temos melhor). Mas atenção ao quinto verso, ao verbo.
Abraço
Obrigado. um abraço.
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