segunda-feira, 22 de março de 2010

Jane Mead

Ultrapassando à noite um camião cheio de galinhas na auto-estrada oitenta



O que me apanhou primeiro foi o seu pânico.

Algumas eram atiradas pelo vento provocado pela velocidade
para o fundo das suas gaiolas empilhadas,
outras tinham as cabeças presas entre as grelhas -

e não conseguiam puxá-las de novo para dentro.
Outras apenas suspensas - mortas -,
as penas batidas pelo ar, coagulando

nas suas cabeças. Então
eu vi aquela que me fez abrandar um pouco -
e demorei-me ao seu lado durante cinco milhas.

Ela tinha enfiado a cabeça no espaço
entre as barras - para poder ter uma vista melhor.
Tinha o mesmo aspecto que tem um cão na traseira

de uma carrinha de caixa aberta, esse aspecto ansioso de cão
que sabe que está a ser levado para longe.
Ela estendeu o pescoço.

Olhou em volta, observou-me, depois
esticou-o ainda mais para ver por cima do carro - esticou-o
para ver o que se passava mais além.

Essa é a galinha que eu quero ser.



(Versão minha; original reproduzido em Poet's choice - poems for everyday life, selecção e introdução de Robert Hass, The Ecco Press, New Jersey, 1998, p. 116).

1 comentário:

CCF disse...

E do que será capaz uma galinha inquieta? Acredito nela :)
~CC~