quinta-feira, 10 de junho de 2010

Primo Levi

Chegada



Feliz o homem que chega a um porto
Deixando para trás mares e tempestades,
Cujos sonhos estão mortos ou não nasceram,
E se senta e bebe na cervejaria de Bremen,
Feito o caminho, agora em paz.
Feliz o homem que é apagada chama,
Feliz o homem que é areia no estuário,
Que largou a carga e enxugou a fronte
E descansa à beira do caminho.
Não teme nem deseja nem espera,
Apenas olha fixamente o sol a pôr-se.



10 Setembro 1964


(Versão minha a partir da tradução castelhana de Jeannette L. Clariond, reproduzida em A una hora incierta, La Poesía senõr hidalgo, Barcelona, 2005, p. 67 e da tradução inglesa de Ruth Feldman e Brian Swann, reproduzida em Collected poems, Faber and Faber, Londres, 2ª ed. (?), 1992, p. 25).