segunda-feira, 5 de julho de 2010

Eugenijus Alisanka

Ensaio sobre a literatura lituana



cada vez menos sou capaz de responder à questão por que escrevo
às vezes parece: para escrever
às vezes eu vejo a luz
cada vez menos por interesse na poesia (para não falar da prosa)
às vezes parece: leio para esquecer
às vezes parece: estou por detrás deste jogo involuntário de palavras
cada vez mais forço-me a estar com os poetas lituanos
às vezes os poetas são generosos e torturados como na poesia russa
às vezes bêbedos e brutos como no rap
às vezes mal se aproximam disto como eu
mais modestamente penso na poesia lituana
às vezes recordo só alguns nomes: vytautas alfonsas sigitas
às vezes digo: a poesia pode ensinar a arte não a vida
às vezes pergunto: será que a vida se preocupa com a poesia como os celans
às vezes fico em silêncio: esta ignorância há-de trazer-me problemas



(Versão minha a partir da tradução inglesa do autor e de Kerry Shawn Keys reproduzida em Six lithuanian poets, Arc, Todmorden, 2008, p.141).

1 comentário:

Amélia disse...

eEeu penso sempre:se não fosse o Lu+is, como poderia eu ter acesso a tantos poetas em l+pinguas que descinheço?