domingo, 3 de outubro de 2010

Savkar Altinel

Joseph Conrad


É a juventude: eu e os guerrilheiros de D. Carlos
A fazermos contrabando de armas em terras de Espanha,
Sobre esse mar ancestral um ou dois veleiros,
Quem sabe em que pensávamos nós.

A noite dentro de quartos de altos tectos
Enquanto os cortinados de tule vogavam na escuridão,
As minhas mãos nas espáduas de Dona Rita,
Em mim um infinito desgosto.

Depois, aprisionado por isso, parti para Sidney,
Quarto capitão em 77,
Panamá, o Congo, mal passei
Por tudo isso: infantilidades.

De agora em diante já não sou o homem que fui, graças a Deus,
Vejam - se não acreditam - as minhas fotografias.
Um inglês respeitável e burguês
Ao lado do meu amigo Henry James.

Agora tenho uma casa, livros,
Todas as manhãs leio o Times,
Aos poucos o meu sotaque vai sendo corrigido,
Falo o inglês da Rainha.

Mas há coisas que permanecem em mim,
Esses pobres hotéis, certos barcos vetustos;
Sob um clima frio comecei o meu primeiro romance,
Do coração das trevas há notícias a dar-vos.



(Versão minha a partir da tradução francesa reproduzida em J' ai vu la mer - Anthologie de poésie turque contemporaine, selecção, apresentação e tradução de Michèle Aquieu, Pierre Chuvin e Güzin Dino com Enis Batur e Elif Deniz, Bleu autour, Saint-Pourçain-sur-Sioule, 2009, pp.216-217).

Sem comentários: