domingo, 5 de dezembro de 2010

Yves Martin

Eu não quero cantar o povo...



Eu não quero cantar o povo
Porque não conheço o seu estreito sofrimento
Nem o seu lento amor, nem as suas guerras
Legítimas e ilegítimas.
Eu não quero cantar as mulheres
Porque não as conheço
A não ser como criaturas esplêndidas
Que não me amaram,
Que eu não soube amar.
Eu quero ser um homem
Nem demasiado seguro, nem demasiado amargo
E morrer devagar, docemente
E por vezes viver
Porque nada mais é possível.



(Versão minha; original reproduzido em Poèmes pour voyager - anthologie des poèmes dans le métro et le bus, selecção de Gérard Cartier e Francis Combes, Le Temps des Cerises, Pantin, 2005, p. 167).

2 comentários:

Brasilino Pires disse...

Mourir doucement, no original?
Então, talvez: morrer devagarinho (e por isso longamente).
Digo eu...

Lp disse...

sim, talvez fique melhor... obrigado.