domingo, 13 de fevereiro de 2011

David Ignatow

Para a minha filha em resposta a uma pergunta



Não vamos morrer,
havemos de encontrar uma solução.
Respiraremos fundo
e teremos cuidado com a comida.
A nossa mente estará concentrada em vivermos.
Nenhum dos dois desaparecerá.
Seremos os primeiros,
nunca nos riremos de nós mesmos
e os teu filhos serão os meus netos.
Nunca nada mudará
a não ser por adição.
Não haverá nunca ninguém como tu
e ninguém nunca como eu.
Nunca ninguém te confundirá
ou me confundirá com outro.
Não seremos nunca esquecidos e ultrapassados
e enterrados sob os nascimentos e as mortes por vir.



(Versão minha; original reproduzido em Good poems for hard times, selecção e introdução de Garrison Keillor, Viking, Nova Iorque, 2005, p. 13).

2 comentários:

bissaide disse...

Gostei deste poema, Luis! Muito mesmo.

Lp disse...

Um abraço para ti.