sexta-feira, 3 de junho de 2011

Mark Strand

Fogueira


Às vezes havia uma fogueira e eu entrava nela
e dela saía ileso e seguia o meu caminho,
e para mim era apenas outra coisa que tinha feito.
Quanto a apagar a fogueira, isso deixava para outros
que se apressavam sobre o fumo revolto com vassouras
e mantas para sufocar as chamas. Quando terminavam,
juntavam-se confusamente para falar do que tinham visto -
da sorte que tinham por terem testemunhado o fulgor do calor,
o efeito silenciador das cinzas e, ainda mais, o terem conhecido a fragrância
do papel queimado, o som das palavras a exalar o último suspiro.



(Versão minha a partir do original e da tradução castelhana de Dámaso López García reproduzidos em Hombre y camello - poemas, Visor Libros, Madrid, 2010, pp. 36-37).

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