Tenho um pássaro empoleirado no ombro,
um pássaro-gémeo, um pássaro que nasceu comigo.
Cresceu tanto, ficou tão pesado,
cada passo que dou é uma tortura.
Um peso morto, um peso morto, um peso morto sobre mim.
Devia deitá-lo ao chão - é tenaz,
as suas garras cravam-se no meu ombro
como as raízes de um carvalho.
A um palmo do meu ouvido: o som
do seu horrível coração de pássaro a palpitar.
Se um dia levantar voo
cairei logo por terra.
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Bruce Berlind reproduzida em The poetry of survival - post-war poets of central and eastern europe, organização de Daniel Weissbort, Peguin Books, 2ª edição, Londres, 1993, pp. 211-212).
3 comentários:
Lindo. Meu pássaro está de dieta para não pesar tanto em meus ombros.
Sou uma leitora assídua do blogue e gostava de partilhar alguns posts no facebook. Será que essa funcionalidade pode ser ativada ou está fora de questão?
Una extraordinaria poeta húngara. Me alegra poder leerla en portugués.
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