terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ágnes Nemos Nagy

[Eu carreguei estátuas...]



Eu carreguei estátuas para dentro do navio,
as suas faces enormes e anónimas.
Eu carreguei estátuas para dentro do navio
que seguia para a ilha, para as colocar no seu lugar.
Entre a orelha e o nariz
havia um ângulo de noventa graus,
no resto as suas faces eram vazias.
Eu carreguei estátuas para dentro do navio e
assim fui ao fundo.



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Bruce Berlind reproduzida em The poetry of survival - post-war poets of central and eastern europe, organização de Daniel Weissbort, Peguin Books, 2ª edição, Londres, 1993, p 209).

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