terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Jaimee Kuperman

O novo dentista



Conduzo em direcção ao consultório do novo dentista
a lenta condução por um sítio desconhecido
com um McDonalds aonde não vou
à esquerda e o centro comercial duas milhas mais à frente.
O tribunal e o antigo tribunal
sinais de trânsito que dividem a estrada, uma espécie de garfo
que não se parece nada com um garfo ou uma colher, na verdade, na melhor das hipóteses
talvez só com uma faca encurvada que se inclina para um lado
na máquina de lavar loiça. E sei que o dentista
fará perguntas sobre a minha última consulta e quererá saber
há quantos meses foi e eu não poderei dizer apenas que há algum tempo
e sei que me perguntará se uso o fio dental
e responder-lhe quando estou pr'aí virado não será
a resposta mais apropriada.
Depois fará a chamada das minhas cavidades
como se elas fossem os nomes de uma turma.
Escovo os dentes antes de entrar.
É como fazer a limpeza antes da chegada da mulher-a-dias,
mas não quero que ele saiba que costumo ter uma boca
desleixada. Que sou o tipo de pessoa que amontoa coisas
no armário antes de chegarem os convidados.



(Versão minha; o original pode ser lido aqui)

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