terça-feira, 24 de abril de 2012

Dritëro Agolli

A vaca



A vaca rumina o seu alimento no estábulo cheio de forragem,
Eu encosto a cara ao seu flanco enorme
E sinto, vindo do interior das suas profundezas, o calor,
O calor do feno colhido nos campos.
Sobre os seus cornos escuros está suspensa uma lâmpada eléctrica
Que traz luz até ao balde do leite.
Não posso abandonar a vaca.
Com a cara encostada ao seu flanco, cheiro o leite coberto de espuma.
A leiteira retira o balde com cuidado
E pára por um instante, com as mãos a pingar.
Diz:
     "Você é veterinário?"
Descolo a cara da vaca:
     "Não, poeta."
Ela ri-se e estuda-me com os olhos azuis,
Simpática, sábia, serena.
Reflecte um pouco e compreende
Que eu não consigo escrever uma linha sem uma vaca...



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Robert Elsie e Janice Mathie-Heck reproduzida em Lightning from the depths - An anthology of albanian poetry, Northwestwern University Press, Evanston - Illinois, 208, p. 180).

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