segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dahlia Ravikovitch

Orgulho



Digo-te, até as rochas se partem,
e não é por causa do tempo.
Durante anos mantém-se deitadas de costas
no calor e no frio,
durante tantos anos
isso quase parece pacífico.
Não se mexem, por isso as fendas permanecem escondidas.
É uma espécie de orgulho.
Os anos passam sobre elas, e elas aguardam.
Seja o que for que venha despedaçá-las
ainda não chegou.
E assim o musgo cresce, as algas
chicoteiam à sua volta,
o mar avança sobre elas e retrocede -
as pedras parecem imóveis.
Até uma pequena foca vem esfregar-se contra elas,
chega e vai-se embora.
E de súbito a rocha tem uma ferida aberta.
Eu disse-te, quando as rochas se quebram, isso acontece de súbito.
Tal como as pessoas.



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Chama Bloch e Ariel Bloch reproduzida em This same sky - a colletion of poems around the world, selecção de Naomi Shihab Nye, Aladdin Paper, Nova Iorque, 1996, p. 181).

1 comentário:

Leni disse...

oh estou muitíssimo contente ter agora a tradução deste superbelo poema.Conheci em ´'97 a Dahlia num Poetryfestival dedicado a Israel em Rotterdão: Eu tinha a sorte de representar a poesia dele em Neerlandês para a radio.Foi uma coloboraçao inesquecível e fiquei tudo comovida com este poema..
Leni