quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Joanna Pollakówna

Canícula



Porquê esta tão longa prova de dor?
Primeiro assaltou-me a dúvida,
depois recuperei a confiança,
revoltei-me
e remeti-me ao silêncio da humildade.
Continuas a testar-me.
E a prova final parece sempre tão distante,
as complicações de sentido indecifráveis.

Na fogueira azul da canícula eterna
o teu amor nunca se inclina para a frieza;
não há refúgio nem meio de fugir.
Não há resposta
porque não há pergunta.



(Versão minha a partir da tradução francesa de Georges Lisowki reproduzida em Vingt-quatre poètes polonais, Éditions du Murmure, Neuilly-lès-Dijon, 2003, p. 125).

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