sábado, 19 de janeiro de 2013

Lisel Muller

Literatura americana



Poetas e escritores
movem-se para o interior do vazio
que Edward Hopper lhes deixou.
Instalam-se em espaços desprovidos
onde a luz foi purgada e descolorida até se tornar
numa espécie de branco-crânio, onde nada
cresce senão a ausência. Onde falta alguma coisa,
o homem pelo qual espera uma mulher,
ou a mobília num quarto
nu como uma cama de hospital
depois do doente ter morrido.
Estes interiores desolados
são aquilo que eles têm procurado,
os escritores, chegando aqui com a sua bagagem
feita de varas de vedores, os seus livros com badanas,
as suas difíceis fotografias de família,
as suas camas granulosas e a sua inclinação
para começar fogos em quartos vazios.



(Versão minha; original reproduzido em Alive together - new and selected poems, Louisiana State University Press, Baton Rouge, 1996, p. 31).

2 comentários:

Cidadão do Mundo disse...

Excelente poeta. Desde já agradeço o trablho que vem fazendo, bem haja. Pena é não existir mais tradução dos trabalhos de Lisel Muller.
"Do trapézio, sem rede", lugar de visita quase diária para mim.

Continue Luis Parrado, precisamos do seu trabalho.

Abraço.

Lp disse...

Muito obrigado pelas suas palavras.