Conduzo a minha ovelha negra de volta ao rebanho
Para que as ovelhas mais velhas a possam lamber e sugar, e lhe dêem
De beber e lhe tirem de cima a lama, os cardos, o bolor, a humidade,
E as areias do deserto e a fuligem dos seus olhos de ovelha
Para que assim possa olhar pasmada a verdura dourada
E os olhos carinhosos dos seus progenitores ovinos
Conduzo a minha ovelha negra de volta ao rebanho
Para que ela possa ser branca de novo, pura e infinitamente igual,
Com o seu pescoço pronto para o sacrifício ritual
Sobre a insaciável vasilha de barro
Cheia do alimento sangrento dos deuses
Conduzo a minha ovelha negra de volta ao rebanho
Para poder ver a sua cabeça voar,
Essa cabeça do velho testamento em cima do seu dobrado pescoço de ovelha,
Para ouvir o seu generoso bater de coração de ovelha
E contar o meu tempo, o teu tempo, o tempo sabe Deus de quem?
O tempo da matança universal!
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Charles Simic reproduzida em The horse has six legs - An anthology os serbian poetry; organização, tradução e introdução de Charles Simic, Graywolf Press, Saint Paul, 1992, p. 196).
2 comentários:
lindo,lindo. um poema para não esquecer.
concordo, leni.
Enviar um comentário