quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Mary Oliver

Tolice? Não, não é



Às vezes passo um dia inteiro a tentar contar as folhas de uma única árvore. Para o fazer tenho de trepar ramo após ramo e de tomar nota dos números num pequeno caderno. Pelo que, do ponto de vista deles, suponho que seja razoável que os meus amigos digam: que tolice! Lá está ela de novo com a cabeça nas nuvens.

Mas não é assim. Claro que há um momento em que tenho de desistir, mas nessa altura já eu estou meio enlouquecida com tal milagre - a abundância das folhas, a quietude dos ramos, o fracasso dos meus intentos. É quando dou por mim a rugir às gargalhadas, cheia de glória terrestre, neste lugar importante e delicioso.



(Versão minha; original reproduzido em A thousand mornings, Peguin, Nova Iorque, 2013, p. 5).

4 comentários:

Leni disse...

os poemas são muito diferentes.Mas interessantes.Até o estilo é variável.
A autora parece-me ainda nova.????

Lp disse...

Um poeta é sempre novo; mesmo que já tenha chegado aos 78 anos anos, como é o caso de Mary Oliver.

Maria Costa disse...

Concordo consigo um Poeta é sempre novo, porque não tem idade.
Uma vez mais agradeço o seu excelente trabalho de nos mostrar Poesia e Poetas excelentes.

Este blogue é um lugar obrigatório para quem sabe amar a Poesia.

Bem haja.

Lp disse...

Obrigado.