Às vezes passo um dia inteiro a tentar contar as folhas de uma única árvore. Para o fazer tenho de trepar ramo após ramo e de tomar nota dos números num pequeno caderno. Pelo que, do ponto de vista deles, suponho que seja razoável que os meus amigos digam: que tolice! Lá está ela de novo com a cabeça nas nuvens.
Mas não é assim. Claro que há um momento em que tenho de desistir, mas nessa altura já eu estou meio enlouquecida com tal milagre - a abundância das folhas, a quietude dos ramos, o fracasso dos meus intentos. É quando dou por mim a rugir às gargalhadas, cheia de glória terrestre, neste lugar importante e delicioso.
(Versão minha; original reproduzido em A thousand mornings, Peguin, Nova Iorque, 2013, p. 5).
4 comentários:
os poemas são muito diferentes.Mas interessantes.Até o estilo é variável.
A autora parece-me ainda nova.????
Um poeta é sempre novo; mesmo que já tenha chegado aos 78 anos anos, como é o caso de Mary Oliver.
Concordo consigo um Poeta é sempre novo, porque não tem idade.
Uma vez mais agradeço o seu excelente trabalho de nos mostrar Poesia e Poetas excelentes.
Este blogue é um lugar obrigatório para quem sabe amar a Poesia.
Bem haja.
Obrigado.
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