Nunca conseguimos alguma coisa
Este caderno é tão velho que o papel amareleceu.
Pergunto-me onde terá crescido a árvore.
Parece que nunca conseguimos alguma coisa sem perder outra.
Há uma espécie de lei que regula isto
e que tem que ver com a finitude dos recursos.
Algures alguém calculou exactamente quanto
custou a minha vida à terra,
quantas pessoas tiveram de morrer para que eu possa existir.
A começar pelos meus pais, e os seus, e todos os que morreram
por causa deles. É como se nos desfizéssemos em sangue.
Quem poderá então acordar amanhã de manhã
e cumprir as suas obrigações, anteriormente preparadas,
como se isso fosse o seu trabalho e apenas o seu trabalho?
Quem terá a coragem de se virar de novo para leste
e olhar o sol que é dos outros?
(Versão minha; original aqui).
Sem comentários:
Enviar um comentário