A barricada do Temple (Paris, 1848)
Nos primeiros
dias da insurreição
resplandecia o sol de junho.
Na rua do Temple
levantava-se, fúnebre, com febre de simetria,
numa insólita fusão de ciência e trevas,
uma alta barricada de paralelepípedos.
Vários cadáveres jaziam
espalhados por aqui e por ali sobre o empedrado
e, à entrada dos portões, amontoavam-se os feridos.
Foi então que a vi: uma borboleta branca,
a esvoaçar, indiferente,
de um lado para o outro da rua.
Nem na revolução,
nem nos momentos mas críticos da história -
o verão nunca abdica.
Os miseráveis, 5ª parte, Livro I (Victor Hugo)
(Versão minha; original reproduzido em Cimas y abismos - Antología poética; Renacimiento, Sevilha, 2012, pp. 173-174).
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