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domingo, 4 de janeiro de 2009

Doug Beardsley

Rito de Passagem



Pai, quando roubei
Os três livros de banda desenhada aos doze anos
Não tinha a intenção de me transformar
Num ladrão. Sabia que tinha cometido um erro
Mas o desejo foi demasiado forte,
E apesar de ter dinheiro
No meu bolso, foi uma operação
Matemática que fez sentido
Para mim; uma paixão infantil
De ter estes livros e ser livre

De comprar outros e ter mais.
Não pagando por eles paguei
Um preço demasiado alto, envergonhando-te
E a tudo aquilo por que resistias
Na tua própria loja. Nessa noite
Decidi sozinho ir para a cama
Sem direito a jantar, ficando acordado
E sabendo que virias ao meu quarto
Para me punir. Continuo a ver
A tua boca atormentada a tremer

Sobre mim: "Por que fizeste isto,
Diz-me que estás arrependido"; a sentir como
Os meus braços me doíam enquanto os mantinha
Dobrados para trás pelos cotovelos
Para que lhes pudesses bater
Com as tuas mãos suaves.
Antes de eu
Adormecer encostaste a minha cabeça
À fivela do teu cinto:
Ambos ficando melhor enquanto chorávamos.



(versão minha dedicada a pb; original reproduzido em In the clear - a contemporary canadian poetry anthology, organização e selecção de Allan Forrie, Patrick O'Rourke e Glen Sorestad, Thistledown Press Ltd., Saskatoon, 2ª impressão, 2006, pp.14-15).

sábado, 27 de dezembro de 2008

Doug Beardsley

O poema perfeito



O que quero
escrever
não está aqui
mas algures
além.

O que faço
é um poema,
uma pequena casa
para viver,
um refúgio de prazer.

O que vejo
é a forma
que procuro ler,
uma perfeita
cascata de palavras.

O que sonho
é o mesmo
poema que faço
mas estou sempre
acordado.



(versão minha; original reproduzido em In the clear - a contemporary canadian poetry anthology, organização e selcção de Allan Forrie, Patrick O'Rourke e Glen Sorestad, Thistledown Press Ltd. Saskatoon, 2ª impressão, 2006, p 15).