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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Gintaras Grajauskas

ando a erguer uma barricada...



ando a erguer uma barricada
à minha volta

junto o armário e a cama
e ponho o frigorífico ao seu lado

enviam-me um negociador
o rapaz das pizzas

é inútil tentar resistir, diz ele

é inútil tentar resistir, concordo

deixa-me como um vencedor
deixa uma pizza com miolo de caranguejo

chega um carteiro: ora aqui está
uma carta registada, assine nesta linha por favor

assino, sorrimos os dois
é inútil tentar resistir, diz a carta

não discuto, concordo educadamente:
não há sequer a mínima esperança

depois chega um mórmon - o senhor
conhece o plano de Deus, pergunta o mórmon

conheço, é inútil tentar resistir
digo eu, o mórmon desce as escadas murmurando

consolido a barricada: tapo brechas
com velhos jornais e pastilha elástica

eles tocam à campainha uma e outra vez

à porta estão o rapaz das pizzas
o mórmon e o carteiro

o que é agora, pergunto

tem razão, dizem eles, não faz sentido
tentar resistir, não há sequer a mínima esperança

é por isso que estamos no mesmo
lado da barricada



(Versão minha a partir da tradução inglesa de E. Alisanka e Kerry Shawn Keys reproduzida em Six lithuanian poets, Arc, Todmorden, 2008, pp. 107-109).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Gintaras Grajauskas

Sinceramente



se fôssemos realmente sinceros
não estaríamos sempre a falar de sinceridade

na verdade falaríamos menos
ou ficaríamos completamente em silêncio

se fôssemos realmente sinceros
diríamos "as minhas insinceras condolências"

ou "os meus insinceros cumprimentos".
"insinceramente vosso -

Grajauskas"

em geral falaríamos muito menos

laconicamente

não estaríamos sempre a perguntar: como vai a vida, como vai isso
iríamos direitos ao assunto, como vai isso de morrer

e responderíamos sinceramente: obrigado, bem



(Versão minha - revista - a partir da tradução inglesa de E. Alisanka e Kerry Shawn Keys reproduzida em Six Lithuanian poets, organização de Eugenijus Alisanka, Arc, Todmorden, 2008, pp. 105-107).