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sábado, 19 de junho de 2010

Hal Sirowitz

A arte do casamento



Viver com alguém é uma arte,
disse o pai, e uma vez que a tua mãe
é que é criativa, eu deixo-lhe
essa parte. Fico de lado
e digo, "Ainda não acabaste
de aperfeiçoar o nosso casamento?"
"Só posso alcançar essa perfeição",
diz ela, "arranjando um novo marido."
É assim que sei que ela continua amar-me.
Se assim não fosse, isto não seria uma piada.



(Versão minha; original reproduzido em Father said, Softskull Press, Brooklyn / Nova Iorque, 2004, p. 127).

terça-feira, 25 de maio de 2010

Hal Sirowitz

Trocando dólares por cêntimos



Levei a minha navalha para a escola, disse o Pai,
e tracei um boneco na minha carteira. O reitor
disse-me que eu não concluiria o curso a não ser
que lhe desse cinco dólares para emendar o erro.
Os meus pais deram-me o dinheiro, uma soma
considerável naquele tempo. Eu fui ao banco
e troquei-o por 500 cêntimos. Coloquei-os
dentro de um saco de papel e bati à porta do reitor.
Despejei os cêntimos sobre a sua secretária
& disse-lhe que violara o meu porquinho-mealheiro.
Pensei que ele teria pena de mim & me diria
que eu guardasse o dinheiro. Mas ele disse-me que não
podia aceitar os cêntimos, que eu tinha de ir a um banco
e trazer-lhe cinco dólares. Era um tipo duro.



(Versão minha; original reproduzido em Mother said, Crown Publishers, Nova Iorque, 1996, p.124; vale a pena lembrar isto a propósito deste poema, ).

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Hal Sirowitz

O meu peixinho dourado morto



Eu queria ter um jacaré como animal de estimação,
mas os meus pais arranjaram-me um peixinho dourado.
Quando ele morreu a minha mãe atirou-o pela sanita abaixo.
Disse-me que se o enterrássemos no jardim
um gato poderia desenterrá-lo & comê-lo.
Fiquei danado foi com o meu pai por usar a casa-de-banho
dez minutos depois do funeral.
Ele não tinha respeito nenhum pelos mortos.



(Versão minha; original reproduzido em Mother said, Crown Publishers, Nova Iorque, 1996, p. 26).

domingo, 11 de abril de 2010

Hal Sirowitz

Braço cortado



Não ponhas o teu braço fora da janela,
disse a Mãe. Um carro pode aparecer de repente
por trás de nós, e cortá-lo. Então o teu pai
terá que parar, colocar a parte separada
na bagageira, e levar-te ao hospital.
E isto não é como as peças do teu telescópio,
que se voltam a encaixar. Um médico terá que te coser.
Deixarás de poder usar camisolas de manga curta.
Não vais querer que se vejam os pontos.



(Versão minha; original reproduzido em Mother said, Crown Publishers, Nova Iorque, 1996, p. 14. Mais poemas do autor em português aqui e aqui).