(Agradeço a Albano Ribeiro por me ter feito chegar este registo de uma leitura pública que incluiu um poema traduzido neste blogue).
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sábado, 27 de abril de 2013
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Helen Farish
O portão branco
Sinto-me tão contente não pude saber
que a última vez seria a última vez
que cruzaríamos o portão branco
do campo e que eu poderia regressar a casa
cheia de felicidade. Senhor, defende-me
das últimas vezes e se não puderes
defender-me das últimas vezes defende-me
da consciência delas. Leva de súbito
cada um de nós, fecha de súbito
o portão. Não me reveles coisa nenhuma.
(versão minha; de Intimates, Cape Poetry, London, 2005, p. 34).
Sinto-me tão contente não pude saber
que a última vez seria a última vez
que cruzaríamos o portão branco
do campo e que eu poderia regressar a casa
cheia de felicidade. Senhor, defende-me
das últimas vezes e se não puderes
defender-me das últimas vezes defende-me
da consciência delas. Leva de súbito
cada um de nós, fecha de súbito
o portão. Não me reveles coisa nenhuma.
(versão minha; de Intimates, Cape Poetry, London, 2005, p. 34).
terça-feira, 17 de junho de 2008
Helen Farish
Empire State Building
Fui mesmo até ao topo
para nos atirar
na forma de dois cêntimos,
as moedas caindo
em tristes linhas paralelas,
o espaço entre elas
vazio como o não-espaço
entre os arranha-céus erguidos em separado.
Mas cometi o erro de esperar
até que a cidade se iluminasse
em resposta ao crepúsculo
e com o crepúsculo
veio o vento e com o vento
neve como a neve de um filme.
Tão mágica que era como se
estivesses comigo
a tomar posição sobre os acontecimentos,
a tornar direitas linhas curvas,
a deslizar a tua mão fria
debaixo do meu casaco, procurando a pele
lisa das minhas costas, depois reclamando o direito
ao meu seio, incendiando-me.
As pessoas abandonariam o Norte o Sul e o Leste
para virem assistir
ao que se estava a passar na parte Oeste,
e à medida que o 80º piso se tornasse no 79º
e este no 78º, tu dirias Sabes,
sempre merecemos muito mais do que isso.
(versão minha; de Intimates, Cape Poetry, London, p. 18.)
Fui mesmo até ao topo
para nos atirar
na forma de dois cêntimos,
as moedas caindo
em tristes linhas paralelas,
o espaço entre elas
vazio como o não-espaço
entre os arranha-céus erguidos em separado.
Mas cometi o erro de esperar
até que a cidade se iluminasse
em resposta ao crepúsculo
e com o crepúsculo
veio o vento e com o vento
neve como a neve de um filme.
Tão mágica que era como se
estivesses comigo
a tomar posição sobre os acontecimentos,
a tornar direitas linhas curvas,
a deslizar a tua mão fria
debaixo do meu casaco, procurando a pele
lisa das minhas costas, depois reclamando o direito
ao meu seio, incendiando-me.
As pessoas abandonariam o Norte o Sul e o Leste
para virem assistir
ao que se estava a passar na parte Oeste,
e à medida que o 80º piso se tornasse no 79º
e este no 78º, tu dirias Sabes,
sempre merecemos muito mais do que isso.
(versão minha; de Intimates, Cape Poetry, London, p. 18.)
domingo, 15 de junho de 2008
Helen Farish
Gémeas recém-nascidas
A gémea mais forte, a que não
tinha qualquer dificuldade, atirou
o seu braço recém-nascido para cima
da que queria partir,
e estabilizou o seu ritmo cardíaco, regularizou
tudo no corpo da que já
tivera que bastasse.
A mais forte, vai julgar
que é Deus, pois pode trazer de volta
a vida para onde já partira.
Vai ser mais duro para ela
do que para a que já conheceu
a separação, a solidão, lugares
que acabarão por nos fazer desejar.
(versão minha; de Intimates, Cape Poetry, London, 2005, p. 11.)
Em incubadoras separadas uma das gémeas estava a morrer.
Contra as ordens do médico, uma enfermeira juntou-as.
A gémea mais forte, a que não
tinha qualquer dificuldade, atirou
o seu braço recém-nascido para cima
da que queria partir,
e estabilizou o seu ritmo cardíaco, regularizou
tudo no corpo da que já
tivera que bastasse.
A mais forte, vai julgar
que é Deus, pois pode trazer de volta
a vida para onde já partira.
Vai ser mais duro para ela
do que para a que já conheceu
a separação, a solidão, lugares
que acabarão por nos fazer desejar.
(versão minha; de Intimates, Cape Poetry, London, 2005, p. 11.)
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