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domingo, 1 de setembro de 2019

Mary Ruefle

A história do carniceiro



Quando eu era pequeno
um rapaz da nossa aldeia
esteve desaparecido por três dias.
O meu pai, o meu tio e eu
fomos à sua procura numa carroça
puxada pelo nosso cavalo, Samuel.
Penetrámos bem no interior dos pântanos,
onde descobrimos três árvores petrificadas
gigantescas e gloriosas. Delas fizemos
belos armários, polidos pareciam vidro.



(Versão minha a partir do original e da tradução espanhola incluída em Por qué no beso bien; seleção e tradução de Ezequiel Zaidenwerg, Kriller 71 ediciones, p. 57).

domingo, 25 de maio de 2008

Mary Ruefle

A mão



O professor faz uma pergunta.
Tu sabes a resposta, desconfias
que és o único na sala de aula
que sabe a resposta, porque a pessoa
em questão és tu próprio, e nisso
és a maior autoridade viva,
mas não levantas a mão.
Levantas a tampa da tua carteira
e tiras uma maçã.
Olhas pela janela.
Não levantas a mão e há
uma beleza essencial nos teus dedos
que nem sequer tamborilam, permanecem
apenas rasos e descansados.
O professor repete a pergunta.
Para lá da janela, num ramo saliente,
um pisco agita as penas
e sente-se no ar a primavera.



(versão minha; original aqui)