As abelhas eram melhores
Na faculdade, as pessoas estavam sempre a acabar umas com as outras.
Nós acabámos em parques de estacionamento,
junto a fontes.
Duas pessoas acabaram a sua relação
mesmo à minha frente, do outro lado de uma
mesa da biblioteca.
Nunca mais fui capaz de me sentar a essa mesa,
apesar de não as conhecer.
Eu andava a estudar as abelhas, que conseguem
transmitir mensagens através dos seus voos dançantes
e de encontrar o caminho de regresso
a casa, às suas colmeias,
mesmo se lhes puserem à frente barreiras de lençóis
ou placas de madeira e arame.
As abelhas têm um radar nas asas e nos cérebros
que os seres humanos muito dificilmente compreenderão.
Eu escrevi um estudo defendendo
a sua genialidade e superioridade
e revi-o num pequeno café
decorado com colheres de mel em forma de colmeia
colocadas em potes de mel prateados
em cada uma das suas mesas.
(Versão minha; o original pode ser lido aqui)
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quarta-feira, 23 de maio de 2018
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Naomi Shihab Nye
Ombros
Um homem atravessa a rua à chuva,
caminhando suavemente, olhando duas vezes para norte
e para sul:
porque o seu filho dorme no seu ombro.
Nenhum carro deve salpicá-lo.
Nenhum carro pode aproximar-se demasiado da sua sombra.
Esta homem carrega a carga mais sensível do mundo
mas não há nenhuma marca disso.
Em nenhum lugar do seu blusão se diz FRÁGIL,
TRANSPORTAR COM CUIDADO.
O seu ouvido fica cheio com a respiração.
Ele ouve o murmúrio dos sonhos de um rapaz
bem dentro de si.
Não estaremos preparados
para viver neste mundo
se não tivermos o desejo de fazer a outro
o que este homem está a fazer.
A estrada será apenas imensa.
E a chuva não cessará nunca de cair.
Um homem atravessa a rua à chuva,
caminhando suavemente, olhando duas vezes para norte
e para sul:
porque o seu filho dorme no seu ombro.
Nenhum carro deve salpicá-lo.
Nenhum carro pode aproximar-se demasiado da sua sombra.
Esta homem carrega a carga mais sensível do mundo
mas não há nenhuma marca disso.
Em nenhum lugar do seu blusão se diz FRÁGIL,
TRANSPORTAR COM CUIDADO.
O seu ouvido fica cheio com a respiração.
Ele ouve o murmúrio dos sonhos de um rapaz
bem dentro de si.
Não estaremos preparados
para viver neste mundo
se não tivermos o desejo de fazer a outro
o que este homem está a fazer.
A estrada será apenas imensa.
E a chuva não cessará nunca de cair.
(versão minha; original reproduzido em Tender spot - selected poems, Bloodaxe, Northumberland, 2008, p. 64).
sábado, 18 de abril de 2009
Naomi Shihab Nye
Aquele que vai rolando
Um rapaz disse-me que
se rolasse suficientemente depressa nos seus patins
a sua solidão não conseguiria apanhá-lo,
a melhor das razões que conheci até hoje
para querer ser um campeão.
O que eu procurei saber esta noite
pedalando com toda a força pela rua King William abaixo
é se isto tem tradução para bicicletas.
Que vitória! Deixares a tua ofegante
solidão para trás numa esquina qualquer
enquanto flutuas livremente dentro de uma nuvem
de inesperadas azáleas,
pétalas cor-de-rosa que nunca se sentiram sós,
não importando a lentidão com que cairam.
Um rapaz disse-me que
se rolasse suficientemente depressa nos seus patins
a sua solidão não conseguiria apanhá-lo,
a melhor das razões que conheci até hoje
para querer ser um campeão.
O que eu procurei saber esta noite
pedalando com toda a força pela rua King William abaixo
é se isto tem tradução para bicicletas.
Que vitória! Deixares a tua ofegante
solidão para trás numa esquina qualquer
enquanto flutuas livremente dentro de uma nuvem
de inesperadas azáleas,
pétalas cor-de-rosa que nunca se sentiram sós,
não importando a lentidão com que cairam.
(versão minha; original reproduzido em Tender spot - selected poems, Bloodaxe, Northumberland, 2008, p. 85).
sexta-feira, 13 de março de 2009
Naomi Shihab Nye
Chuva
Uma professora perguntou ao Paulo
de que se lembrava ele
do terceiro ano; ele esteve sentado
durante muito tempo antes de escrever
"nesse ano álguei tucõ me
no ombru"
e dobrou a folha de papel.
Mais tarde ela mostrou-ma
como um exemplo da sua vida desperdiçada.
As palavras que ele escreveu eram grandes
como casas numa paisagem.
Ele quis entrar nelas
e viver lá, podia preencher
as janelas dos "o" e do "b"
e ficar seguro enquanto lá fora
os pássaros fariam os seus ninhos nos algerozes
sem nada saberem sobre a chegada da chuva.
Uma professora perguntou ao Paulo
de que se lembrava ele
do terceiro ano; ele esteve sentado
durante muito tempo antes de escrever
"nesse ano álguei tucõ me
no ombru"
e dobrou a folha de papel.
Mais tarde ela mostrou-ma
como um exemplo da sua vida desperdiçada.
As palavras que ele escreveu eram grandes
como casas numa paisagem.
Ele quis entrar nelas
e viver lá, podia preencher
as janelas dos "o" e do "b"
e ficar seguro enquanto lá fora
os pássaros fariam os seus ninhos nos algerozes
sem nada saberem sobre a chegada da chuva.
(versão minha; original reproduzido em Poetry 180, a turning back to poetry, organização e introdução de Billy Collins, Random House, Nova Iorque, 2003, p. 68).
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