Estou a pintar
uma pequena cruz preta
na testa
para que
o inimigo
possa apontar melhor.
Não torno pública
a minha falta de medo.
Sei
que o assassino
não compreenderia.
Ele desenharia
apenas um ponto
no centro do alvo
e o seu indicador
premiria o gatilho.
Um buraco abrir-se-ia
na testa despedaçada,
no meio dessa
nobre Cruz da Bíblia.
Então eu extrairia
da polpa espessa
alguns pensamentos e sangue,
miolos e um grito
e com isso pintaria
a terrível tela da vida,
com isso escreveria
o meu mais terno poema.
(versão minha, a partir da tradução inglesa de Belin Tonchev reproduzida em Young poets of a new Bulgaria, selecção e tradução de B. Tonchev, introdução de Sebastian Barker, Forest Books, Londres, 1990, p. 38).