E mais uma mensagem de uma leitora (muito obrigado):
{anita}:
"Muitos parabéns! O Trapézio é um dos meus blogues favoritos, uma dádiva para quem gosta de ler boa poesia. Continuação de bom trabalho:)"
sábado, 4 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
4 anos a tombar do trapézio (3)
Mensagens, comentários & um desafio de leitores (muito, muito obrigado):
Vasco Barbedo Nabais:
"Olá e parabéns pelos 4 anos.
Cada vez gosto mais de poesia à medida que vou lendo o seu blog (diariamente). É o único blog que conheço deste género, que tem um programa e que se comprometeu até ao fim (4 anos é muito). Vou descobrindo novos nomes e fico surpreendido: há tanta gente, de tantos países, que vive a poesia e o mundo, e eu nem sabia. Um dos poemas mais bonitos que conheço li-o aqui, de Jerzy Ficowski, que acaba lindamente: "mesmo que eu chegue atrasado / eu quero chegar a tempo." Só podia assim ser pela tradução que é. Parabéns!"
josé luís:
"parabéns!
leio sempre - e aqui descobri muitas palavras outras.
obrigado.
este é para si:
(e um desafio em tradução)
1(a
le
af
fa
ll
s)
one
l
iness
{e.e. cummings}"
Vasco Barbedo Nabais:
"Olá e parabéns pelos 4 anos.
Cada vez gosto mais de poesia à medida que vou lendo o seu blog (diariamente). É o único blog que conheço deste género, que tem um programa e que se comprometeu até ao fim (4 anos é muito). Vou descobrindo novos nomes e fico surpreendido: há tanta gente, de tantos países, que vive a poesia e o mundo, e eu nem sabia. Um dos poemas mais bonitos que conheço li-o aqui, de Jerzy Ficowski, que acaba lindamente: "mesmo que eu chegue atrasado / eu quero chegar a tempo." Só podia assim ser pela tradução que é. Parabéns!"
josé luís:
"parabéns!
leio sempre - e aqui descobri muitas palavras outras.
obrigado.
este é para si:
(e um desafio em tradução)
1(a
le
af
fa
ll
s)
one
l
iness
{e.e. cummings}"
Inteligência, coragem, amor, liberdade, ternura, delicadeza...
Wislawa Szymborska em português (europeu, e que eu conheça):
1) Paisagem com grão de areia, tradução de Júlio Sousa Gomes, Relógio D'Água, Lisboa, 1988.
2) Alguns gostam de poesia. Antologia, (poemas de Wislawa Szymborska e de Czeslaw Milosz), selecção, introdução e tradução de Elzbieta Milewska e de Sérgio das Neves, Cavalo de Ferro, Lisboa, 2004.
3) Instante, tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio Neves, Relógio D'Água, Lisboa, 2006.
1) Paisagem com grão de areia, tradução de Júlio Sousa Gomes, Relógio D'Água, Lisboa, 1988.
2) Alguns gostam de poesia. Antologia, (poemas de Wislawa Szymborska e de Czeslaw Milosz), selecção, introdução e tradução de Elzbieta Milewska e de Sérgio das Neves, Cavalo de Ferro, Lisboa, 2004.
3) Instante, tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio Neves, Relógio D'Água, Lisboa, 2006.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
4 anos a tombar do trapézio (2)
Parte de uma mensagem e uma tradução de José Carlos Barros:
"(...)
Sou amigo de um poeta cubano (Edel Morales) cuja poesia muito particularmente admiro. O Edel, já há uns tempos, pediu-me que lhe traduzisse um poema. É o que te envio em resposta ao teu desafio: o original e a tradução de "Viendo los autos pasar hacia occidente".
(...)"
Vendo os automóveis a passar em direcção do Ocidente
As ruas das pequenas cidades do centro de Cuba,
habitualmente buliçosas e doces,
ficam vazias nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Os estudantes tinham partido à descoberta do mundo
e uma paz, uma estranha e larga ausência,
atravessa as paredes e entra nos edifícios.
Os clubes, as casas de cultura, os campos desportivos
assemelham-se a uma cena, cuidadosamente preparada,
que espera o regresso dos actores para a continuação das filmagens.
Nas pequenas cidades do centro de Cuba
tudo é espera e ausência nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Noites de fevereiro na esquina deserta de Libertad e Paseo
vendo os automóveis a passar na direcção do Ocidente.
Como quem vê uma rapariga de pele muito limpa e cabelos negros
passar, abrindo o desejo, na direcção de outro homem.
*****
Viendo los autos pasar hacia occidente
En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
las calles, habitualmente bulliciosas y dulces,
se quedan vacías en los meses de invierno.
Yo he vivdo esa pesada quietud.
Los esudiantes se han marchado a descubrir el mundo
y una paz, una extraña y larga ausencia,
llega hasta las paredes y penetra al interior de los edificios.
Los clubes, las casas de cultura, los campos deportivos,
semejan un set, cuidadosamente preparado,
que espera el regreso de los actores para continuar la filmación.
En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
todo es ausencia y espera en los meses de invierno.
Yo he vivido esa pesada quietud.
Noches de febrero en la esquina vacía de Libertad y Paseo,
viendo los autor pasar hacia Occidente.
Como quien ve a una muchacha de piel muy limpia y cabellos negros
pasar gustosa hacia otro hombre.
Poema de Edel Morales; tradução de José Carlos Barros.
(Muito obrigado).
"(...)
Sou amigo de um poeta cubano (Edel Morales) cuja poesia muito particularmente admiro. O Edel, já há uns tempos, pediu-me que lhe traduzisse um poema. É o que te envio em resposta ao teu desafio: o original e a tradução de "Viendo los autos pasar hacia occidente".
(...)"
Vendo os automóveis a passar em direcção do Ocidente
As ruas das pequenas cidades do centro de Cuba,
habitualmente buliçosas e doces,
ficam vazias nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Os estudantes tinham partido à descoberta do mundo
e uma paz, uma estranha e larga ausência,
atravessa as paredes e entra nos edifícios.
Os clubes, as casas de cultura, os campos desportivos
assemelham-se a uma cena, cuidadosamente preparada,
que espera o regresso dos actores para a continuação das filmagens.
Nas pequenas cidades do centro de Cuba
tudo é espera e ausência nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Noites de fevereiro na esquina deserta de Libertad e Paseo
vendo os automóveis a passar na direcção do Ocidente.
Como quem vê uma rapariga de pele muito limpa e cabelos negros
passar, abrindo o desejo, na direcção de outro homem.
*****
Viendo los autos pasar hacia occidente
En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
las calles, habitualmente bulliciosas y dulces,
se quedan vacías en los meses de invierno.
Yo he vivdo esa pesada quietud.
Los esudiantes se han marchado a descubrir el mundo
y una paz, una extraña y larga ausencia,
llega hasta las paredes y penetra al interior de los edificios.
Los clubes, las casas de cultura, los campos deportivos,
semejan un set, cuidadosamente preparado,
que espera el regreso de los actores para continuar la filmación.
En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
todo es ausencia y espera en los meses de invierno.
Yo he vivido esa pesada quietud.
Noches de febrero en la esquina vacía de Libertad y Paseo,
viendo los autor pasar hacia Occidente.
Como quien ve a una muchacha de piel muy limpia y cabellos negros
pasar gustosa hacia otro hombre.
Poema de Edel Morales; tradução de José Carlos Barros.
(Muito obrigado).
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Do trapézio,
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Leitores
4 anos a tombar do trapézio (1)
Comentários e mensagens de leitores (muito obrigado a todos):
Amélia:
"Bastará dizer-lhe que o seu blogue é um dos meus preferidos que leio diariamente? Gosto das suas traduções, ainda que tantas vezes não possa confrontá-las com os originais. E gosto de tantos poetas que desconhecia e me tem dado a conhecer. Obrigada."
Neusa:
"Tantos poemas que li, imagens que vi, revelações, com os quais me identifiquei. Obrigada."
Carla Diacov:
"Parabéns e muitos posts de vida!!!"
Daniel Ferreira:
"Parabéns pelos quatro anos de vida e pela lufada de ar fresco que, no que toca à tradução, trouxeste à poesia portuguesa na internet. Muito pessoalmente e para não fechar a questão ao universo virtual, pela machadada no classicismo e na seriedade sisuda divulgada pelo universo literário português até então. Ou seja, obrigado por acabares com o autismo e pela variedade enquanto causa da consequente qualidade, pela possibilidade de poder conhecer outros autores e outro tipo de registos, abriste sem dúvida novos horizontes. Por tudo isso, muito mais e por o que está para vir: continuação e bons tombos. ;)
O mais sincero dos abraços."
Amélia:
"Bastará dizer-lhe que o seu blogue é um dos meus preferidos que leio diariamente? Gosto das suas traduções, ainda que tantas vezes não possa confrontá-las com os originais. E gosto de tantos poetas que desconhecia e me tem dado a conhecer. Obrigada."
Neusa:
"Tantos poemas que li, imagens que vi, revelações, com os quais me identifiquei. Obrigada."
Carla Diacov:
"Parabéns e muitos posts de vida!!!"
Daniel Ferreira:
"Parabéns pelos quatro anos de vida e pela lufada de ar fresco que, no que toca à tradução, trouxeste à poesia portuguesa na internet. Muito pessoalmente e para não fechar a questão ao universo virtual, pela machadada no classicismo e na seriedade sisuda divulgada pelo universo literário português até então. Ou seja, obrigado por acabares com o autismo e pela variedade enquanto causa da consequente qualidade, pela possibilidade de poder conhecer outros autores e outro tipo de registos, abriste sem dúvida novos horizontes. Por tudo isso, muito mais e por o que está para vir: continuação e bons tombos. ;)
O mais sincero dos abraços."
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
4 anos a tombar do trapézio
Caríssimos leitores,
Este blogue faz 4 anos no próximo dia 4 de fevereiro. Gostava de comemorar a data convosco e, por isso, convido-vos a enviarem-me comentários sobre a tradução de poesia ou sobre este blogue, listas de poemas e de poetas preferidos, sugestões de leitura, críticas, traduções, desenhos, fotografias, em suma, o que entenderem que faz sentido publicar num blogue com as características deste. Tenciono publicar o que me enviarem para a caixa do correio ao longo da presente e da próxima semana.
Obrigado.
E um abraço para todos,
LP.
Este blogue faz 4 anos no próximo dia 4 de fevereiro. Gostava de comemorar a data convosco e, por isso, convido-vos a enviarem-me comentários sobre a tradução de poesia ou sobre este blogue, listas de poemas e de poetas preferidos, sugestões de leitura, críticas, traduções, desenhos, fotografias, em suma, o que entenderem que faz sentido publicar num blogue com as características deste. Tenciono publicar o que me enviarem para a caixa do correio ao longo da presente e da próxima semana.
Obrigado.
E um abraço para todos,
LP.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Angel Erro
LXXV
Chegará um dia
em que todos admirarão
a tua obra, com maíúsculas,
A Tua Obra, que hoje desprezam
- ou que ousam até ignorar -,
e se arrependerão
por te terem conhecido tarde demais.
Assim suportas a vida.
Ou suportas assim a morte?
(versão minha a partir da tradução para espanhol do autor reproduzida em Un puente de palabras - 5 jovénes poetas vascos, selecção e organização de Jon Kortazar, Centro de Lingüística Aplicada Atenea, edição bilingue euskera/espanhol, Madrid, 2005, p. 131).
Chegará um dia
em que todos admirarão
a tua obra, com maíúsculas,
A Tua Obra, que hoje desprezam
- ou que ousam até ignorar -,
e se arrependerão
por te terem conhecido tarde demais.
Assim suportas a vida.
Ou suportas assim a morte?
(versão minha a partir da tradução para espanhol do autor reproduzida em Un puente de palabras - 5 jovénes poetas vascos, selecção e organização de Jon Kortazar, Centro de Lingüística Aplicada Atenea, edição bilingue euskera/espanhol, Madrid, 2005, p. 131).
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Claes Andersson
Não se preocupam com os meios
Tem cuidado com aquele que diz representar
a voz de muitos.
Talvez seja verdade.
Tem cuidado com aquele que diz que fala
apenas em seu nome.
Talvez seja verdade.
Tem cuidado com aquele que se limita a consentir
com a cabeça.
Amanhã o consentimento pode afectar-te a ti.
Tem cuidado com aqueles que só querem viver
a sua vida em paz.
Não se preocupam com os meios.
(Versão minha a partir da tradução espanhola de Francisco J. Uriz reproduzida em Poesía nórdica, Ediciones de la Torre, 2ª edição, Madrid, 1999, p. 180).
Tem cuidado com aquele que diz representar
a voz de muitos.
Talvez seja verdade.
Tem cuidado com aquele que diz que fala
apenas em seu nome.
Talvez seja verdade.
Tem cuidado com aquele que se limita a consentir
com a cabeça.
Amanhã o consentimento pode afectar-te a ti.
Tem cuidado com aqueles que só querem viver
a sua vida em paz.
Não se preocupam com os meios.
(Versão minha a partir da tradução espanhola de Francisco J. Uriz reproduzida em Poesía nórdica, Ediciones de la Torre, 2ª edição, Madrid, 1999, p. 180).
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Eila Kivikkaho
Ocultar o mais íntimo
Como um insecto
imóvel no ramo
quero semear
algo que ninguém
procure, veja, persiga.
Como um insecto
imóvel no ramo
quero semear
algo que ninguém
procure, veja, persiga.
(Versão minha a partir da tradução espanhola de Francisco J. Uriz reproduzida em Poesía nórdica, Ediciones de la Torre, 2ª edição, Madrid, 1999, p. 97).
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Lisel Mueller
Às vezes, quando a luz
Às vezes, quando a luz cria ângulos inesperados
e te empurra de novo para a infância
e tu passas perto de uma mansão decadente
escondida por completo por salgueiros centenários
ou junto de um convento abandonado e guardado por abetos
e uma linha de pinheiros gigantes alinhados
percebes mais uma vez que por trás desse muro,
debaixo da crespa cabeleira dos salgueiros,
continua a existir um segredo
tão maravilhoso e perigoso
que se rastejares e o descobrires
podes morrer, ou então ser feliz para todo o sempre.
(Versão minha; o original pode ser lido aqui).
Às vezes, quando a luz cria ângulos inesperados
e te empurra de novo para a infância
e tu passas perto de uma mansão decadente
escondida por completo por salgueiros centenários
ou junto de um convento abandonado e guardado por abetos
e uma linha de pinheiros gigantes alinhados
percebes mais uma vez que por trás desse muro,
debaixo da crespa cabeleira dos salgueiros,
continua a existir um segredo
tão maravilhoso e perigoso
que se rastejares e o descobrires
podes morrer, ou então ser feliz para todo o sempre.
(Versão minha; o original pode ser lido aqui).
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Angel Erro
X
Tudo está dito, desde há muito.
Que tudo está dito já está dito.
Tudo está dito, pois, sem emenda.
Tudo está dito, mas não por mim.
Tudo está dito, desde há muito.
Que tudo está dito já está dito.
Tudo está dito, pois, sem emenda.
Tudo está dito, mas não por mim.
(Versão minha da tradução para espanhol do autor reproduzida em Un puente de palabras - 5 jóvenes poetas vascos, selecção de Jon Kortazar, Centro de Lingüística Aplicada Atenea, edição bilingue euskera/espanhol, Madrid, 2005, p. 125).
domingo, 15 de janeiro de 2012
Castillo Suarez
Um romance tem demasiadas palavras
Um romance tem demasiadas palavras. Por isso escrevo poemas. Como se fazer poemas não fosse suficiente, perguntam-me por que o faço. Escrevo porque minto. Porque sou mentirosa e porque exagero as coisas. Se não exagerasse as coisas, ninguém acreditaria em mim.
Os poemas perdem-se sem trégua, perdem-se dia após dia porque ninguém os guarda, porque ninguém os escreve. Eu sou uma caçadora de poemas; não sou uma escritora.
(Versão minha a partir da tradução para espanhol da autora reproduzida em Un puente de palabras - 5 jóvenes poetas vascos, selecção de Jon Kortazar, Centro de Lingüistica Aplicada Atenea, edição bilingue euskera/espanhol, Madrid, 2005, p. 89).
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Igor Estankona
A serpente
É por isso que cheguei a casa antes do previsto
e por isso subi as escadas
sigiloso
e é por isso que abri a porta
com a cópia da chave
que julgavas que eu não tinha
é por isso que viraste as costas
e me escapaste dos braços
com a destreza das trutas
é por isso que te passei uma rasteira
e caímos
os dois
ao chão
é por isso
que não fiz caso
quando entre risos me insultaste
é por isso que te desabotoei
os botões das calças
é por isso
que rocei os teus lábios
e tu abriste a boca
como se vão abrindo enquanto ardem
as rosas ou as bolas de papel
é por isso que apaguei a luz
é por isso que fiz tudo tão depressa:
para que não tivesses tempo
de preparar a tua defesa.
É por isso que cheguei a casa antes do previsto
e por isso subi as escadas
sigiloso
e é por isso que abri a porta
com a cópia da chave
que julgavas que eu não tinha
é por isso que viraste as costas
e me escapaste dos braços
com a destreza das trutas
é por isso que te passei uma rasteira
e caímos
os dois
ao chão
é por isso
que não fiz caso
quando entre risos me insultaste
é por isso que te desabotoei
os botões das calças
é por isso
que rocei os teus lábios
e tu abriste a boca
como se vão abrindo enquanto ardem
as rosas ou as bolas de papel
é por isso que apaguei a luz
é por isso que fiz tudo tão depressa:
para que não tivesses tempo
de preparar a tua defesa.
(Versão minha a partir da tradução para espanhol de Jon Kortazar reproduzida em Un puente de palabras - 5 jóvenes poetas vascos, selecção de Jon Kortazar, Centro de Lingüística Aplicada Atenea, edição bilingue euskera/espanhol, Madrid, 2005, p.p. 97-99).
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Castillo Suarez
Toda a dor do mundo
As coisas que não fazem parte da tua experiência são quase invisíveis. Mais ainda, quando algo de novo se incorpora na tua realidade é como se não houvesse mais nada em redor. Mas é impossível tentar compreender toda a dor do mundo. É impossível; tanto como amar duas vezes a mesma pessoa.
(Versão minha a partir da tradução para espanhol da autora reproduzida em Un puente de palabras - 5 jóvenes poetas vascos, selecção de Jon Kortazar, Centro de Lingüistica Aplicada Atenea, edição bilingue euskera/espanhol, Madrid, 2005, p. 93).
domingo, 8 de janeiro de 2012
Artur Miedzyrzecki
O que é que os politólogos sabem?
O que é que os politólogos sabem?
Os politólogos sabem quais são as últimas tendências
Qual o estado actual da economia
A história das doutrinas
O que é que os politólogos não sabem?
Os politólogos não sabem nada de desespero
Não conhecem o jogo que consiste
Em ficar fora de jogo
Não lhes ocorre
Que ninguém sabe quando
É que as mudanças irrevogáveis podem acontecer
Por exemplo um banco de gelo que se parte de repente
E sabe-se como os recursos naturais
Incluem o conhecimento das leis veneráveis
A capacidade de surpreender
O sentido de humor
O que é que os politólogos sabem?
Os politólogos sabem quais são as últimas tendências
Qual o estado actual da economia
A história das doutrinas
O que é que os politólogos não sabem?
Os politólogos não sabem nada de desespero
Não conhecem o jogo que consiste
Em ficar fora de jogo
Não lhes ocorre
Que ninguém sabe quando
É que as mudanças irrevogáveis podem acontecer
Por exemplo um banco de gelo que se parte de repente
E sabe-se como os recursos naturais
Incluem o conhecimento das leis veneráveis
A capacidade de surpreender
O sentido de humor
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Stanilslaw Baranczak e Clara Cavanagh reproduzida em The poetry of survival - Post-war poets of central and eastern europe, organzação de Daniel Weissbort, Peguin, 2ª edição, Londres, 1993, p. 194).
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Karmelo C. Iribarren
Ainda ontem
Parece que foi
ontem
que ainda sonhávamos
com a revolução,
e hoje estamos assim:
balofos,
meio carecas, cínicos,
e com problemas
de colestrol.
(Versão minha; original reproduzido em Seguro que esta historia te suena - Poesía completa (1985-2005), Renacimiento, Sevilha, 2005, p. 215).
Parece que foi
ontem
que ainda sonhávamos
com a revolução,
e hoje estamos assim:
balofos,
meio carecas, cínicos,
e com problemas
de colestrol.
(Versão minha; original reproduzido em Seguro que esta historia te suena - Poesía completa (1985-2005), Renacimiento, Sevilha, 2005, p. 215).
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Eila Kivikkaho
Na noite
Oiço - como poderia não o ouvir -:
o pássaro, o pássaro dos pássaros.
A árvore e a erva querem dormir.
Acende-se uma estrela, desperta o coração
e canta o pássaro dos pássaros.
Oiço - como poderia não o ouvir -:
o pássaro, o pássaro dos pássaros.
A árvore e a erva querem dormir.
Acende-se uma estrela, desperta o coração
e canta o pássaro dos pássaros.
(Versão minha a partir da tradução espanhola de Francisco J. Uriz reproduzida em Poesía nórdica, Ediciones de la Torre, 2ª edição, Madrid, 1999, p. 96).
sábado, 31 de dezembro de 2011
Robert Duncan (1919-1988)
Entre os meus amigos
Entre os meus amigos o amor é uma grande tristeza.
Tornou-se um fardo diário, um festim,
uma guloseima para loucos, uma fome para o coração.
Visitamo-nos uns aos outros perguntando, dizendo uns aos outros.
Não ardemos intensamente, questionamos o fogo.
Não caímos para a frente com os nossos rostos vivos
e ardentes a olhar para dentro do fogo.
Fixamente olhamos para dentro dos nossos próprios rostos.
Tornámo-nos as nossas próprias realidades.
Procuramos esgotar a nossa absoluta incapacidade de amor.
Entre os meus amigos o amor é uma questão dolorosa.
Procuramos entre os rostos que passam
a face da esfinge que apresentará o enigma.
Entre os meus amigos o amor é uma resposta a uma questão
que não chegou a ser colocada.
Por isso coloquemo-la.
Entre os meus amigos o amor é um pagamento.
É uma dívida antiga cujo valor foi gasto de uma forma idiota.
E continuamos a pedir emprestado uns aos outros.
Entre os meus amigos o amor é um salário
que qualquer um pode receber para ter uma vida honesta.
Entre os meus amigos o amor é uma grande tristeza.
Tornou-se um fardo diário, um festim,
uma guloseima para loucos, uma fome para o coração.
Visitamo-nos uns aos outros perguntando, dizendo uns aos outros.
Não ardemos intensamente, questionamos o fogo.
Não caímos para a frente com os nossos rostos vivos
e ardentes a olhar para dentro do fogo.
Fixamente olhamos para dentro dos nossos próprios rostos.
Tornámo-nos as nossas próprias realidades.
Procuramos esgotar a nossa absoluta incapacidade de amor.
Entre os meus amigos o amor é uma questão dolorosa.
Procuramos entre os rostos que passam
a face da esfinge que apresentará o enigma.
Entre os meus amigos o amor é uma resposta a uma questão
que não chegou a ser colocada.
Por isso coloquemo-la.
Entre os meus amigos o amor é um pagamento.
É uma dívida antiga cujo valor foi gasto de uma forma idiota.
E continuamos a pedir emprestado uns aos outros.
Entre os meus amigos o amor é um salário
que qualquer um pode receber para ter uma vida honesta.
(Versão minha, recuperada, feita com a colaboração de C. e de C., e dedicada a J., a P.B. e a todos os leitores deste blogue; original reproduzido em City Lights Pocket Poets Anthology, organização de Lawrence Ferlinghetti, City Lights Books, São Francisco, 3ª edição, 1997, p. 44).
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Semyon Kirsanov (1906-1972)
O novo coração
Ando ocupado!
Ando a construir
um modelo de um coração
inteiramente
novo!
Um coração
para o futuro: com o qual sinta
e ame. Um coração
com o qual compreenda os homens:
E que me diga também quem
devo livremente
cumprimentar com a minha mão -
e a quem
nunca deverei
estendê-la.
Ando ocupado!
Ando a construir
um modelo de um coração
inteiramente
novo!
Um coração
para o futuro: com o qual sinta
e ame. Um coração
com o qual compreenda os homens:
E que me diga também quem
devo livremente
cumprimentar com a minha mão -
e a quem
nunca deverei
estendê-la.
(Versão minha, recuperada, feita a partir da tradução inglesa de Anselm Hollo reproduzida em City Lights Pocket Poets Anthology, organização de Lawrence Ferlinghetti, City Lights Books, São Francisco, 3ª edição, 1997, p. 81).
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Feng Menglong (1574-1646)
O amor
Segundo a melodia Guazhier
Quando estás irritada comigo,
parece que te ris para mim.
Quando me chegas a roupa ao pelo,
aguento e aprecio o teu ar de coquete.
Quando armas confusão por minha causa,
oiço-te a chamares-me querido.
Gosto tanto da tua voz quando me gritas,
e tanto dos teus braços quando me agarras.
Pareces-me linda quando estás contente,
mas ficas ainda mais bela
quando te mostras furiosa ou ressentida.
Segundo a melodia Guazhier
Quando estás irritada comigo,
parece que te ris para mim.
Quando me chegas a roupa ao pelo,
aguento e aprecio o teu ar de coquete.
Quando armas confusão por minha causa,
oiço-te a chamares-me querido.
Gosto tanto da tua voz quando me gritas,
e tanto dos teus braços quando me agarras.
Pareces-me linda quando estás contente,
mas ficas ainda mais bela
quando te mostras furiosa ou ressentida.
(Versão minha a partir da tradução espanhola de Guojian Chen reproduzida em Lo mejor de la poesía amorosa china, Calambur, Madrid, 2007, p. 152).
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Eeva Kilpi
["Quando alguém já não tem forças..."]
Quando alguém já não tem forças para escrever, tem de recordar.
Quando já não tem forças para fotografar,
tem de ver com os olhos da alma.
Quando já não tem forças para ler,
tem de estar repleto de histórias.
Quando já não tem forças para falar,
tem de ecoar.
Quando alguém já não tem forças para andar, tem de voar.
E quando chega a hora,
tem de se desprender das recordações
e dos olhos da alma e deixar de ressoar,
calar-se e dobrar as asas.
Mas aconteça o que acontecer a história continua, continua.
Quando alguém já não tem forças para escrever, tem de recordar.
Quando já não tem forças para fotografar,
tem de ver com os olhos da alma.
Quando já não tem forças para ler,
tem de estar repleto de histórias.
Quando já não tem forças para falar,
tem de ecoar.
Quando alguém já não tem forças para andar, tem de voar.
E quando chega a hora,
tem de se desprender das recordações
e dos olhos da alma e deixar de ressoar,
calar-se e dobrar as asas.
Mas aconteça o que acontecer a história continua, continua.
(Versão minha a partir da tradução espanhola de Francisco J. Uriz reproduzida em Poesía nórdica, Ediciones de la Torre, 2ª edição, Madrid, 1999, p. 128).
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Jerzy Ficowski
["nada fiz para salvar..."]
nada fiz para salvar
uma só vida
nada fiz para impedir
uma bala que fosse
e ando por cemitérios
que não existem
procuro palavras
que não existem
corro
para ajudar em sítios onde ninguém chamou
para salvar depois das coisas acontecerem
mesmo que esteja atrasado
eu quero chegar a tempo
nada fiz para salvar
uma só vida
nada fiz para impedir
uma bala que fosse
e ando por cemitérios
que não existem
procuro palavras
que não existem
corro
para ajudar em sítios onde ninguém chamou
para salvar depois das coisas acontecerem
mesmo que esteja atrasado
eu quero chegar a tempo
(Versão minha a paritr da tradução inglesa de Keith Bosley e Krystyna Wandycs reproduzida em The poetry of survival - post-war poets of central and eastern europe, organização de Daniel Weissbort, Peguin Books, 2ª edição, Londres, 1993, pp. 131-132).
domingo, 18 de dezembro de 2011
Ghani Khan
Pergunta ou resposta
Responde, mullah, responde!
A vida é uma pergunta ou uma resposta?
É uma consumação do amor ou uma obsessão doentia?
Repouso ou agitação?
A vida é um imã ou uma amante?
O púlpito ou a sala do trono?
Ou, num mundo voluntarioso,
a ilusão de um sonho encantado?
Um momento para arrebatar a luz
a partir da escuridão do universo?
A vida é uma pergunta ou uma resposta?
Responde, mullah, responde!
A vida é o Faraó e a ousadia -
ou a sua loucura e euforia?
É o trono de ouro de Nimrod,
ou a sinistra morte de Mansur?
Adorável, cheia de sorrisos,
ou Yazid, inchado de orgulho?
É a primavera, ou a rosa,
meio escondida do olhar?
A vida é uma pergunta ou uma resposta?
Responde, mullah, responde!
Um copo de vinho intoxicante,
ou a tigela partida de um mendigo?
O rosto aturdido de Khyyana,
ou o sagaz semblante do tolo Bahlol?
Uma rosa de jardim salpicada de cores,
ou a garantia de espinhos acutilantes?
É uma fuga ou um voo?
Um voo a partir de si próprio?
É uma pergunta ou uma resposta?
Responde, mullah, responde!
A vida é beleza que se propaga -
ou beleza que se extingue?
Música que lamenta o seu próprio fracasso,
ou uma chama ardente?
Há ainda um lugar de repouso no caminho,
ou apenas respiração em busca de outra respiração?
A vida é os baldes de uma nora de tirar água,
uns vazios, outros cheios?
Ou luz que se expande eternamente,
inconsciente da sua glória?
A vida é uma pergunta ou uma resposta?
Responde, mullah, responde!
Responde, mullah, responde!
A vida é uma pergunta ou uma resposta?
É uma consumação do amor ou uma obsessão doentia?
Repouso ou agitação?
A vida é um imã ou uma amante?
O púlpito ou a sala do trono?
Ou, num mundo voluntarioso,
a ilusão de um sonho encantado?
Um momento para arrebatar a luz
a partir da escuridão do universo?
A vida é uma pergunta ou uma resposta?
Responde, mullah, responde!
A vida é o Faraó e a ousadia -
ou a sua loucura e euforia?
É o trono de ouro de Nimrod,
ou a sinistra morte de Mansur?
Adorável, cheia de sorrisos,
ou Yazid, inchado de orgulho?
É a primavera, ou a rosa,
meio escondida do olhar?
A vida é uma pergunta ou uma resposta?
Responde, mullah, responde!
Um copo de vinho intoxicante,
ou a tigela partida de um mendigo?
O rosto aturdido de Khyyana,
ou o sagaz semblante do tolo Bahlol?
Uma rosa de jardim salpicada de cores,
ou a garantia de espinhos acutilantes?
É uma fuga ou um voo?
Um voo a partir de si próprio?
É uma pergunta ou uma resposta?
Responde, mullah, responde!
A vida é beleza que se propaga -
ou beleza que se extingue?
Música que lamenta o seu próprio fracasso,
ou uma chama ardente?
Há ainda um lugar de repouso no caminho,
ou apenas respiração em busca de outra respiração?
A vida é os baldes de uma nora de tirar água,
uns vazios, outros cheios?
Ou luz que se expande eternamente,
inconsciente da sua glória?
A vida é uma pergunta ou uma resposta?
Responde, mullah, responde!
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Sher Zaman Taizi e de Revez Sheikh reproduzida em Modern poetry of Pakistan, organização de Iftikhar Arif; revisão das traduções de Waqas Khwaja, Dalkey Archive Press, Champaign e Londres, 2010, pp. 96-97)
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Cristina Peri Rossi
Projectos
Poderíamos ter um filho
e levá-lo ao jardim zoológico aos domingos.
Poderíamos esperá-lo
à saída do colégio.
Ele iria descobrindo
na procissão das nuvens
toda a pré-história.
Poderíamos com ele fazer anos.
Mas não gostaria que ao chegar à puberdade
um fascista de merda lhe desse um tiro.
Poderíamos ter um filho
e levá-lo ao jardim zoológico aos domingos.
Poderíamos esperá-lo
à saída do colégio.
Ele iria descobrindo
na procissão das nuvens
toda a pré-história.
Poderíamos com ele fazer anos.
Mas não gostaria que ao chegar à puberdade
um fascista de merda lhe desse um tiro.
(Versão minha; poema incluído em Poesía reunida, Lumen, Barcelona, 2ª edição, 2009, p. 221).
domingo, 11 de dezembro de 2011
Claes Andersson
[Roubai-nos e chamai-lhe...]
Roubai-nos e chamai-lhe economia nacional.
Tirai-nos as nossas casas e chamai-lhe planificação regional.
Humilhai-nos e chamai-lhe assistência social.
Tornai-nos loucos e chamai-lhe higiene mental.
Envenenai-nos e chamai-lhe conservação do meio ambiente.
Adormecei-nos e chamai-lhe ideologia de consumo.
Deixai-nos no desemprego e chamai-lhe reconversão.
Confundi-nos e chamai-lhe publicidade.
Vendei os nossos corpos e chamai-lhe liberdade sexual.
Enganai-nos e chamai-lhe política de rendimentos.
Coisificai-nos e chamai-lhe nível de vida.
Escarnecei do nosso trabalho e chamai-lhe jubilação antecipada.
Menti-nos e chamai-lhe liberdade de expressão.
Tiranizai-nos e chamai-lhe democracia.
Roubai-nos e chamai-lhe economia nacional.
Tirai-nos as nossas casas e chamai-lhe planificação regional.
Humilhai-nos e chamai-lhe assistência social.
Tornai-nos loucos e chamai-lhe higiene mental.
Envenenai-nos e chamai-lhe conservação do meio ambiente.
Adormecei-nos e chamai-lhe ideologia de consumo.
Deixai-nos no desemprego e chamai-lhe reconversão.
Confundi-nos e chamai-lhe publicidade.
Vendei os nossos corpos e chamai-lhe liberdade sexual.
Enganai-nos e chamai-lhe política de rendimentos.
Coisificai-nos e chamai-lhe nível de vida.
Escarnecei do nosso trabalho e chamai-lhe jubilação antecipada.
Menti-nos e chamai-lhe liberdade de expressão.
Tiranizai-nos e chamai-lhe democracia.
(1974)
(Versão minha a partir da tradução castelhana de Francisco J. Uriz reproduzida em Poesía nórdica, organização de F. J. Uriz, Ediciones de la Torre, 2ª edição, Madrid, 1999, p. 180).
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Karmelo C. Iribarren
O resto é conversa
A minha mulher e a minha filha,
estas paredes e estes livros,
um punhado de amigos
que me querem bem
- e dos quais gosto de verdade -,
as ondas do cantábrico
em setembro,
três bares, quatro
contando com o clandestino da praia.
Ainda que saiba que deixo
algumas coisas, posso dizer
que, a ser algo, será esta a minha pátria.
O resto é conversa.
Para os Legorburu Arzamendi
A minha mulher e a minha filha,
estas paredes e estes livros,
um punhado de amigos
que me querem bem
- e dos quais gosto de verdade -,
as ondas do cantábrico
em setembro,
três bares, quatro
contando com o clandestino da praia.
Ainda que saiba que deixo
algumas coisas, posso dizer
que, a ser algo, será esta a minha pátria.
O resto é conversa.
(Versão minha; poema reproduzido em Seguro que esta historia te suena - Poesía completa (1985-2005), Renacimiento, Sevilla, 2005, p. 185).
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Ágnes Nemos Nagy
[Eu carreguei estátuas...]
Eu carreguei estátuas para dentro do navio,
as suas faces enormes e anónimas.
Eu carreguei estátuas para dentro do navio
que seguia para a ilha, para as colocar no seu lugar.
Entre a orelha e o nariz
havia um ângulo de noventa graus,
no resto as suas faces eram vazias.
Eu carreguei estátuas para dentro do navio e
assim fui ao fundo.
Eu carreguei estátuas para dentro do navio,
as suas faces enormes e anónimas.
Eu carreguei estátuas para dentro do navio
que seguia para a ilha, para as colocar no seu lugar.
Entre a orelha e o nariz
havia um ângulo de noventa graus,
no resto as suas faces eram vazias.
Eu carreguei estátuas para dentro do navio e
assim fui ao fundo.
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Bruce Berlind reproduzida em The poetry of survival - post-war poets of central and eastern europe, organização de Daniel Weissbort, Peguin Books, 2ª edição, Londres, 1993, p 209).
domingo, 4 de dezembro de 2011
Li Yanniam (? - 87 a. C.)
A minha canção
No norte há uma jovem muito bela,
uma beleza sem igual.
Um olhar seu é suficiente
para conquistar a cidade.
Um outro olhar basta
para dominar um reino.
Eu preferia tê-la
a subjugar uma capital
ou todo um império.
No norte há uma jovem muito bela,
uma beleza sem igual.
Um olhar seu é suficiente
para conquistar a cidade.
Um outro olhar basta
para dominar um reino.
Eu preferia tê-la
a subjugar uma capital
ou todo um império.
(Versão minha a partir da tradução espanhola de Guojian Chen reproduzida em Lo mejor de la poesía amorosa china, Calambur, Madrid, 2007, p. 36).
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Esclarecimento & agradecimento aos leitores que escrevem comentários neste blogue
Caríssimos leitores,
Por motivos alheios à minha vontade, não tenho conseguido responder, nos últimos tempos, aos diversos comentários que têm deixado na caixa de comentários. Não sei porquê, mas o blogger não mo tem permitido. Espero que o problema se resolva em breve, desejando, também, que possam continuar a ler e a comentar os poemas que aqui vão sendo passados para português. Agradeço - a todos - as palavras de simpatia e incentivo que me têm dirigido.
Por motivos alheios à minha vontade, não tenho conseguido responder, nos últimos tempos, aos diversos comentários que têm deixado na caixa de comentários. Não sei porquê, mas o blogger não mo tem permitido. Espero que o problema se resolva em breve, desejando, também, que possam continuar a ler e a comentar os poemas que aqui vão sendo passados para português. Agradeço - a todos - as palavras de simpatia e incentivo que me têm dirigido.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Ágnes Nemes Nagy
Pássaro
Tenho um pássaro empoleirado no ombro,
um pássaro-gémeo, um pássaro que nasceu comigo.
Cresceu tanto, ficou tão pesado,
cada passo que dou é uma tortura.
Um peso morto, um peso morto, um peso morto sobre mim.
Devia deitá-lo ao chão - é tenaz,
as suas garras cravam-se no meu ombro
como as raízes de um carvalho.
A um palmo do meu ouvido: o som
do seu horrível coração de pássaro a palpitar.
Se um dia levantar voo
cairei logo por terra.
Tenho um pássaro empoleirado no ombro,
um pássaro-gémeo, um pássaro que nasceu comigo.
Cresceu tanto, ficou tão pesado,
cada passo que dou é uma tortura.
Um peso morto, um peso morto, um peso morto sobre mim.
Devia deitá-lo ao chão - é tenaz,
as suas garras cravam-se no meu ombro
como as raízes de um carvalho.
A um palmo do meu ouvido: o som
do seu horrível coração de pássaro a palpitar.
Se um dia levantar voo
cairei logo por terra.
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Bruce Berlind reproduzida em The poetry of survival - post-war poets of central and eastern europe, organização de Daniel Weissbort, Peguin Books, 2ª edição, Londres, 1993, pp. 211-212).
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