quarta-feira, 21 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
Ana Pérez Cañamares
Meu filho
Que sou livre, dizem-me.
Porém se quisesse ter outro filho
teria de o levar ao banco da esquina
porque sua é a minha casa.
O meu menino chamaria pai ao gerente
e mãe à caixa
aprenderia a andar com uma cadeira
de rodinhas de escritório
dormiria numa gaveta dos arquivos
e eu seria apenas um parente afastado
que lhe sorriria do meu lugar na fila.
Passaria por lá de vez em quando com a desculpa de aumentar a hipoteca
só para ver como o criam
como o ar condicionado o afecta
se sabe enviar um fax
e se o gerente lhe oferece um jogo de frigideiras
pelo seu aniversário.
(vesão minha; original reproduzido em La manera de recogerse el pelo - Generación blogger, selecção de David González; prólogo de José Ángel Barrueco, Bartleby, Madrid, 2010, p. 195).
Que sou livre, dizem-me.
Porém se quisesse ter outro filho
teria de o levar ao banco da esquina
porque sua é a minha casa.
O meu menino chamaria pai ao gerente
e mãe à caixa
aprenderia a andar com uma cadeira
de rodinhas de escritório
dormiria numa gaveta dos arquivos
e eu seria apenas um parente afastado
que lhe sorriria do meu lugar na fila.
Passaria por lá de vez em quando com a desculpa de aumentar a hipoteca
só para ver como o criam
como o ar condicionado o afecta
se sabe enviar um fax
e se o gerente lhe oferece um jogo de frigideiras
pelo seu aniversário.
(vesão minha; original reproduzido em La manera de recogerse el pelo - Generación blogger, selecção de David González; prólogo de José Ángel Barrueco, Bartleby, Madrid, 2010, p. 195).
quinta-feira, 15 de março de 2012
Cristina Morano
Vergonha
O número de filhos da puta
aumenta cada dia, mas pior
é o número ainda maior dos tontos.
Eu conto-me entre os segundos,
às vezes o meu pai pergunta-me
se vou fazer alguma coisa a respeito disso;
não costumo, porém, responder-lhe,
limito-me a olhar a tv
sentada em frente da sua cara.
Deveria dizer-lhe que tem razão,
que as pessoas me dirigem o olhar
como se a uma espécie rara de animal,
como se se sentissem confortáveis
no papel do delator.
Gostaria de fazer alguma coisa para mudar,
ser mais inteligente, fumar com elegância...
esse tipo de coisas que te tornam respeitável.
Mas, no fundo, nunca seria suficiente,
os pratos continuam a cair-me das mãos.
O número de filhos da puta
aumenta cada dia, mas pior
é o número ainda maior dos tontos.
Eu conto-me entre os segundos,
às vezes o meu pai pergunta-me
se vou fazer alguma coisa a respeito disso;
não costumo, porém, responder-lhe,
limito-me a olhar a tv
sentada em frente da sua cara.
Deveria dizer-lhe que tem razão,
que as pessoas me dirigem o olhar
como se a uma espécie rara de animal,
como se se sentissem confortáveis
no papel do delator.
Gostaria de fazer alguma coisa para mudar,
ser mais inteligente, fumar com elegância...
esse tipo de coisas que te tornam respeitável.
Mas, no fundo, nunca seria suficiente,
os pratos continuam a cair-me das mãos.
(Versão minha; original reproduzido em La manera de recogerse el pelo - Generación blogger, selecção de David González; prólogo de José Ángel Barrueco, Bartleby, Madrid, 2010, p. 213).
terça-feira, 13 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Maris Salejs
[aqui estamos...]
aqui estamos
a morte não nos cobriu
completamente
por isso aqui estamos
aqui estamos
a morte não nos cobriu
completamente
por isso aqui estamos
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Ieva Lesinska reproduzida em Six latvian poets, organização da tradutora, introdução de Juris Kronbergs, Arc, Todmorden, 2011, p. 133).
sábado, 10 de março de 2012
Anna Auzina
[Agora eu tenho...]
Agora eu tenho um cãozinho
chama-se Desassossego, é de uma raça amarga (mais tarde hei-de mostrar uma fotografia)
Vai comigo para o trabalho, dobrado debaixo do meu braço
segue-me tristemente até ao infantário e à noite quer sair.
Ficar por aqui ao pé da porta não serve, tem de ser para a chuva e para o vento.
Eu sei que vocês se preocupam, mas andamos só por ruas bem iluminadas
e apenas até ele ficar verdadeiramente exausto, é o melhor para todos
Assim não uiva junto à porta do quarto que lhe fechas cuidadosamente no focinho.
Agora eu tenho um cãozinho
chama-se Desassossego, é de uma raça amarga (mais tarde hei-de mostrar uma fotografia)
Vai comigo para o trabalho, dobrado debaixo do meu braço
segue-me tristemente até ao infantário e à noite quer sair.
Ficar por aqui ao pé da porta não serve, tem de ser para a chuva e para o vento.
Eu sei que vocês se preocupam, mas andamos só por ruas bem iluminadas
e apenas até ele ficar verdadeiramente exausto, é o melhor para todos
Assim não uiva junto à porta do quarto que lhe fechas cuidadosamente no focinho.
(Versão minha partir da tradução inglesa de Ieva Lesinska reproduzida em Six latvian poets, selecção e organização de Juris Kronberg, Arc, Todmorden, 2011, p. 43).
quinta-feira, 8 de março de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Maris Salejs
[vês o que resta...]
vês o que resta dos predadores?
ossos
vês o que resta da vida?
o sol
quando tudo acaba sempre
então ainda este sol
não sei porquê
mas é
vês o que resta dos predadores?
ossos
vês o que resta da vida?
o sol
quando tudo acaba sempre
então ainda este sol
não sei porquê
mas é
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Ieva Lesinska reproduzida em Six latvian poets, selecção e organização da tradutora; introdução de Juris Kronberg, Arc, Todmorden, 2011, p. 133).
domingo, 4 de março de 2012
Anna Auzina
Pequeno-almoço nas nuvens
às vezes é tão bom
até podíamos ter mais filhos
cães gatos hamsters
peixes tropicais bisavós passadas da cabeça
duas ou três tendas
esquis um computador
vários monitores
basta carregar tudo isso e seguir
um pequeno-almoço na erva
melhor ainda nas nuvens
é preciso comprar equipamento de piquenique
e bons ganchos
para que a corda nos possa içar
de modo seguro até ao céu
nas nuvens grelharemos salsichas
como fazemos habitualmente
e depois fotografar-me-ás
nua no céu
quando já estiverem todos a dormir nas nuvens
filhos
cães gatos hamsters
peixes tropicais bisavós malucas de todo
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Ieva Lesinska reproduzida em Six latvian poets, organização e tradução de Ieva Lesinska, introdução de Juris Kronbergs, Arc, Todmorden, 2011, p. 35).
às vezes é tão bom
até podíamos ter mais filhos
cães gatos hamsters
peixes tropicais bisavós passadas da cabeça
duas ou três tendas
esquis um computador
vários monitores
basta carregar tudo isso e seguir
um pequeno-almoço na erva
melhor ainda nas nuvens
é preciso comprar equipamento de piquenique
e bons ganchos
para que a corda nos possa içar
de modo seguro até ao céu
nas nuvens grelharemos salsichas
como fazemos habitualmente
e depois fotografar-me-ás
nua no céu
quando já estiverem todos a dormir nas nuvens
filhos
cães gatos hamsters
peixes tropicais bisavós malucas de todo
(Versão minha a partir da tradução inglesa de Ieva Lesinska reproduzida em Six latvian poets, organização e tradução de Ieva Lesinska, introdução de Juris Kronbergs, Arc, Todmorden, 2011, p. 35).
sexta-feira, 2 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Juan de Lapala
Vincent
Cegam-me os teus sóis
e os teus lúcidos amarelos.
Sossegam-me a alma
as aspas "deste ninguém".
Toco por baixo da ligadura
dos teus óleos
esses ausentes recessos
que fizeste símbolo da tua dor.
Pesou demasiado a tua cruz, homem,
e sei que caíste três vezes
antes de te amputares por inteiro.
Ainda te observamos cabisbaixos,
eu e os teus tristes girassóis.
Cegam-me os teus sóis
e os teus lúcidos amarelos.
Sossegam-me a alma
as aspas "deste ninguém".
Toco por baixo da ligadura
dos teus óleos
esses ausentes recessos
que fizeste símbolo da tua dor.
Pesou demasiado a tua cruz, homem,
e sei que caíste três vezes
antes de te amputares por inteiro.
Ainda te observamos cabisbaixos,
eu e os teus tristes girassóis.
(Versão de Ricardo Castro Ferreira; o original - do livro El torturador, de 2005 - pode ser lido aqui).
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Cristina Morano
A herança
A minha mãe ensinou-me a bordar:
o dedal no dedo médio,
usar o fio em pequenas meadas,
ensinou-me a fazer o ponto de bainha dupla
e a dispor a loiça de porcelana:
primeiro as bandejas,
depois os pratos e os copos.
A minha avó ensinou-me a engomar:
o lenço de criança dobrava-se
num triângulo, como o de solteira,
só o de cavalheiro se dobrava
em forma de rectângulo.
- Então és filha de boas famílias.
- Não, sou a filha das criadas.
A Tomasa Meco, in memorian
A minha mãe ensinou-me a bordar:
o dedal no dedo médio,
usar o fio em pequenas meadas,
ensinou-me a fazer o ponto de bainha dupla
e a dispor a loiça de porcelana:
primeiro as bandejas,
depois os pratos e os copos.
A minha avó ensinou-me a engomar:
o lenço de criança dobrava-se
num triângulo, como o de solteira,
só o de cavalheiro se dobrava
em forma de rectângulo.
- Então és filha de boas famílias.
- Não, sou a filha das criadas.
(Versão minha; original reproduzido em La manera de recogerse el pelo - Generación blogger, selecção de David González; prólogo de José Ángel Barrueco, Bartleby, Madrid, 2010, p. 211).
sábado, 25 de fevereiro de 2012
José Carlos Cataño
Le crocodile et Mallarmé
Eugène Mallarmé, ilustre professor do Colégio de França, publica em 1899 a sua monumental Histoire Naturelle du Crocodile Africain. Um ano mais tarde tem a oportunidade de pisar o continente negro.
Agora encontra-se em Rwonga, frente ao seu primeiro exemplar vivo da espécie. O sangue gela-lhe, de imediato, o crocodilo avança e Eugène Mallarmé sobe a uma bananeira. Erguido sobre as patas traseiras, o monstro arrasta-se e trepa.
As últimas palavras do sábio, segundo as desconsoladas testemunhas, foram:
- Mais non! Mais non! Les crocodiles ne montent pas aux arbres!
(Versão minha; original reproduzido em Campo abierto - Antología del poema en prosa en España (1990-2005), selecção e organização de Marta Agudo e Carlos Jiménez Arribas, DVD, 2005, Barcelona, p. 95).
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Jaimee Kuperman
O novo dentista
Conduzo em direcção ao consultório do novo dentista
a lenta condução por um sítio desconhecido
com um McDonalds aonde não vou
à esquerda e o centro comercial duas milhas mais à frente.
O tribunal e o antigo tribunal
sinais de trânsito que dividem a estrada, uma espécie de garfo
que não se parece nada com um garfo ou uma colher, na verdade, na melhor das hipóteses
talvez só com uma faca encurvada que se inclina para um lado
na máquina de lavar loiça. E sei que o dentista
fará perguntas sobre a minha última consulta e quererá saber
há quantos meses foi e eu não poderei dizer apenas que há algum tempo
e sei que me perguntará se uso o fio dental
e responder-lhe quando estou pr'aí virado não será
a resposta mais apropriada.
Depois fará a chamada das minhas cavidades
como se elas fossem os nomes de uma turma.
Escovo os dentes antes de entrar.
É como fazer a limpeza antes da chegada da mulher-a-dias,
mas não quero que ele saiba que costumo ter uma boca
desleixada. Que sou o tipo de pessoa que amontoa coisas
no armário antes de chegarem os convidados.
(Versão minha; o original pode ser lido aqui)
Conduzo em direcção ao consultório do novo dentista
a lenta condução por um sítio desconhecido
com um McDonalds aonde não vou
à esquerda e o centro comercial duas milhas mais à frente.
O tribunal e o antigo tribunal
sinais de trânsito que dividem a estrada, uma espécie de garfo
que não se parece nada com um garfo ou uma colher, na verdade, na melhor das hipóteses
talvez só com uma faca encurvada que se inclina para um lado
na máquina de lavar loiça. E sei que o dentista
fará perguntas sobre a minha última consulta e quererá saber
há quantos meses foi e eu não poderei dizer apenas que há algum tempo
e sei que me perguntará se uso o fio dental
e responder-lhe quando estou pr'aí virado não será
a resposta mais apropriada.
Depois fará a chamada das minhas cavidades
como se elas fossem os nomes de uma turma.
Escovo os dentes antes de entrar.
É como fazer a limpeza antes da chegada da mulher-a-dias,
mas não quero que ele saiba que costumo ter uma boca
desleixada. Que sou o tipo de pessoa que amontoa coisas
no armário antes de chegarem os convidados.
(Versão minha; o original pode ser lido aqui)
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Laura Casielles
descentralizações (i)
Enquanto uma mulher na Provença
abotoava o corpete,
cinco mulheres preparavam as suas tigelas de henna*
num harém não muito longe de Tânger.
Enquanto se escrevia sobre o Cid,
escrevia-se também o Rubaiyat.
Emquanto se travava uma guerra entre a Prússia e a Áustria,
milhares de tártaros eram expulsos da Crimeia.
Ao mesmo tempo que Carlos Magno,
Kaya-Magan.
No dia em que Gravilo Princip
assassinou o príncipe Francisco Fernando
cumpriu-se o segundo aniversário
do dia em que se autorizou a compra do Canal do Panamá.
E no ano em que morreu Winston Churchill,
Mehdi Ben Barka desapareceu em Paris em estranhas circunstâncias
e a Índia independente tornou oficial uma das suas mais de trinta línguas.
Enquanto Bolívar montava o seu cavalo,
os ingleses instalavam-se na Tasmânia.
Os fuzilamentos do 2 de Maio
não são o mesmo que o 2 de Maio de 1812,
quando os colonos desistiram do sítio de Cuautla.
Se são curiosidades, todas são curiosidades.
Se são feitos importantes, todos são feitos importantes.
Enquanto uma mulher na Provença
abotoava o corpete,
cinco mulheres preparavam as suas tigelas de henna*
num harém não muito longe de Tânger.
Enquanto se escrevia sobre o Cid,
escrevia-se também o Rubaiyat.
Emquanto se travava uma guerra entre a Prússia e a Áustria,
milhares de tártaros eram expulsos da Crimeia.
Ao mesmo tempo que Carlos Magno,
Kaya-Magan.
No dia em que Gravilo Princip
assassinou o príncipe Francisco Fernando
cumpriu-se o segundo aniversário
do dia em que se autorizou a compra do Canal do Panamá.
E no ano em que morreu Winston Churchill,
Mehdi Ben Barka desapareceu em Paris em estranhas circunstâncias
e a Índia independente tornou oficial uma das suas mais de trinta línguas.
Enquanto Bolívar montava o seu cavalo,
os ingleses instalavam-se na Tasmânia.
Os fuzilamentos do 2 de Maio
não são o mesmo que o 2 de Maio de 1812,
quando os colonos desistiram do sítio de Cuautla.
Se são curiosidades, todas são curiosidades.
Se são feitos importantes, todos são feitos importantes.
(Versão minha; o original pode ser lido aqui, na página 73. *Corante muito usado no norte de África e na Índia para colorir ou tatuar as mãos e o corpo das mulheres).
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Jane Kenyon
Agasalhos
Vi-o a sair do hospital
com um casaco de senhora no braço.
Claramente ela não iria precisar de tal coisa.
Os óculos de sol que ele usava não conseguiam
esconder-lhe o rosto molhado, o seu desnorte.
E como uma piada de mau gosto o dia estava limpo
e o ar demasiado suave para dezembro. Mesmo assim
ele correu o fecho do blusão e atou
o capuz debaixo do queixo, preparando-se
para um frio irremediável.
Vi-o a sair do hospital
com um casaco de senhora no braço.
Claramente ela não iria precisar de tal coisa.
Os óculos de sol que ele usava não conseguiam
esconder-lhe o rosto molhado, o seu desnorte.
E como uma piada de mau gosto o dia estava limpo
e o ar demasiado suave para dezembro. Mesmo assim
ele correu o fecho do blusão e atou
o capuz debaixo do queixo, preparando-se
para um frio irremediável.
(Versão minha a partir do original e da tradução espanhola de Hilario Barrero reproduzidos em De otra manera, Pre-Textos, Valência, 2007, pp. 106-107).
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Berta Piñan
Lição de gramática
Como se diz em ouolof a palavra fronteira, a palavra
pátria? E em soniké, como designareis o desamparo?
Se quiserdes dizer em berbere, por exemplo, "eu tive uma casa
num arrabalde de Rabat", poreis a frase nesta ordem? Como
se conjugam em bambara os verbos que conduzem ao norte,
que adjectivos se devem acrescentar à palavra mar, à palavra morte?
Se tiverdes de partir, a palavra adeus será um substantivo?
Como se pronuncia em diakhanké a palavra exílio? Há que
juntar os lábios? Doem? Que pronomes usais para aquele que espera
na praia, para o que regressa sem nada? Quando apontais para além, no sentido
de casa, que advérbio escolheis? Como se diz na vossa, na nossa língua
a palavra futuro?
Como se diz em ouolof a palavra fronteira, a palavra
pátria? E em soniké, como designareis o desamparo?
Se quiserdes dizer em berbere, por exemplo, "eu tive uma casa
num arrabalde de Rabat", poreis a frase nesta ordem? Como
se conjugam em bambara os verbos que conduzem ao norte,
que adjectivos se devem acrescentar à palavra mar, à palavra morte?
Se tiverdes de partir, a palavra adeus será um substantivo?
Como se pronuncia em diakhanké a palavra exílio? Há que
juntar os lábios? Doem? Que pronomes usais para aquele que espera
na praia, para o que regressa sem nada? Quando apontais para além, no sentido
de casa, que advérbio escolheis? Como se diz na vossa, na nossa língua
a palavra futuro?
(Versão minha; o original pode ser lido algures por aqui, na p. 14. Notas: 1) A versão que apresento parte do original asturiano e fez-se sem recurso a dicionário; a proximidade do asturiano com o castelhano e com o próprio português permitiu-me correr o risco calculado de tentar a transposição para o português. 2) Ouolof (um leitor atento sugere-me que a maneira correcta de grafar esta palavra será uólofe ou uolofe; no entanto, admitindo a possibilidade de estar a errar, decido manter a forma de ressonâncias herbertianas: Ouolof é o título de um dos volumes de "poemas mudados para português" pelo autor de Ofício cantante), soniké, berbere, bambara e diakhanké são línguas faladas por diferentes populações ou grupos étnicos de várias regiões do continente africano (do Norte, do Centro ou da África Ocidental - por exemplo, em países como o Mali ou o Senegal...). 3) Por último, com esta versão deste poema extraordinário, desejo agradecer esta tradução de um outro poema extraordinário. E, se possível, retribuir.)
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Igor Estankona
O adivinho
Um ramo oscilou levemente
mas o pássaro que o mundo esperava não está,
as nuvens vieram
mas não trouxeram a chuva que a terra desejava,
uma mosca caiu
mas o peixe que o lago esconde não veio à superfície.
Assim te espero eu
fazendo cáculos e mais cálculos.
Ouve-se a música
mas não há nenhum bailarino nesta sala vazia,
um perfume expande-se
mas as macieiras não estão ainda em flor,
deitei-me com mulheres
mas não se desfez a imagem do coração.
Assim te espero eu
procurando-te em qualquer sinal.
Um ramo oscilou levemente
mas o pássaro que o mundo esperava não está,
as nuvens vieram
mas não trouxeram a chuva que a terra desejava,
uma mosca caiu
mas o peixe que o lago esconde não veio à superfície.
Assim te espero eu
fazendo cáculos e mais cálculos.
Ouve-se a música
mas não há nenhum bailarino nesta sala vazia,
um perfume expande-se
mas as macieiras não estão ainda em flor,
deitei-me com mulheres
mas não se desfez a imagem do coração.
Assim te espero eu
procurando-te em qualquer sinal.
(Versão minha a partir da tradução para espanhol de Jon Kortazar reproduzida em Un puente de palabras - 5 jóvenes poetas vascos, selecção e organização de Jon Kortazar, Centro de Lingüística Aplicada Atenea, edição bilingue euskera/espanhol, Madrid, 2005, p.121).
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Jorge Luis Borges
(Acerca da tradução: fotografia de José Manuel Teixeira da Silva)
Xadrez (II)
O rei subtil, o bispo oblíquo, a feroz
rainha, torre frontal, peão ladino
sobre o preto e branco deste caminho
tomam e deixam armas da batalha.
Não conhecem a mão predestinada
do jogador governando o destino,
não conhecem o imenso rigor
que sujeita liberdade e viagem.
Também o jogador é prisioneiro
(disse-o Omar) de outro tabuleiro
pleno de noites negras, dias claros.
Deus move o jogador e este a peça.
Que deus atrás de Deus começa a trama
feita de pó e tempo e sonho e mortes?
(Versão de José Manuel Teixeira da Silva, a partir do original em castelhano incluído em Nueva Antología Personal, 2ª ed., Bruguera, Barcelo, 1983, p. 17. Com esta tradução e com a fotografia que, segundo nota do autor, "poderia chamar-se (parece-me) "acerca da tradução"", José Manuel Teixeira da Silva associa-se à comemoração dos quatro anos deste blogue, o que registo com grande satisfação e gratidão).
Etiquetas:
Do trapézio,
Jorge Luis Borges,
José Manuel Teixeira da Silva,
Leitores
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Marlene Dumas
Contra o muro
O primeiro gesto é o pior.
Desenhar uma linha divide o papel em dois.
Desenhar mapas e fronteiras faz dos vizinhos estrangeiros.
Nas culturas bélicas todas as gerações de crianças foram educadas
a pensar exclusivamente em imagens-inimigo.
A arte é uma forma de dormir com o inimigo.
Tenho imenso respeito pelos jornalistas que arriscam
as suas vidas para nos mostrarem aquilo que está a acontecer aqui e agora. Não estou a [tentar
melhorar o seu trabalho. Não sou uma repórter local. Sou uma artista de estúdio.
Viajo através da minha imaginação, ou assim deveria fazer - vivo na minha imaginação.
Não quero que destruam Israel.
Quero que se acabe com a ocupação da Palestina.
Quero que acabemos a Segunda Guerra Mundial,
Para que possamos acabar a Terceira Guerra Mundial.
Mas isso não pode ser pintado. Só os muros podem ser pintados.
Nunca encarei a pintura como uma janela ou como um espelho do mundo.
Talvez a veja mais como uma porta com o aviso Não Entrar
ou uma carta com a informação "Devolver ao remetente - Desconhecido neste paradeiro".
Ou uma fronteira.
O primeiro gesto é o pior.
Desenhar uma linha divide o papel em dois.
Desenhar mapas e fronteiras faz dos vizinhos estrangeiros.
Nas culturas bélicas todas as gerações de crianças foram educadas
a pensar exclusivamente em imagens-inimigo.
A arte é uma forma de dormir com o inimigo.
Tenho imenso respeito pelos jornalistas que arriscam
as suas vidas para nos mostrarem aquilo que está a acontecer aqui e agora. Não estou a [tentar
melhorar o seu trabalho. Não sou uma repórter local. Sou uma artista de estúdio.
Viajo através da minha imaginação, ou assim deveria fazer - vivo na minha imaginação.
Não quero que destruam Israel.
Quero que se acabe com a ocupação da Palestina.
Quero que acabemos a Segunda Guerra Mundial,
Para que possamos acabar a Terceira Guerra Mundial.
Mas isso não pode ser pintado. Só os muros podem ser pintados.
Nunca encarei a pintura como uma janela ou como um espelho do mundo.
Talvez a veja mais como uma porta com o aviso Não Entrar
ou uma carta com a informação "Devolver ao remetente - Desconhecido neste paradeiro".
Ou uma fronteira.
(Versão de Ricardo Castro Ferreira. Com esta colaboração do Ricardo - um retorno aos textos-poemas de Marlene Dumas - fica concluída a série dedicada aos quatro anos deste blogue. Agora é seguir em frente. Muito obrigado a todos).
Etiquetas:
Do trapézio,
Leitores,
Marlene Dumas,
Ricardo Castro Ferreira
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Lisel Mueller
Pombos
Como qualquer outro reino
o reino dos pássaros
também tem a sua multidão de pobres,
esses pobres públicos e urbanos
cujos excrementos branqueiam
telhas e calçadas,
que picam e picam
(mas raramente escolhem)
o que os seus bicos encontram:
os detritos diários
das ricas cidades italianas
ou aqui, em redor do edifício da Câmara -
sempre pelos passeios
ofendendo as pessoas enojadas
que se dirigem a um qualquer lugar.
Ninguém se lembra de como é que isto aconteceu,
o seu declínio, o voo
quase abandonado,
esses murmúrios queixosos,
as colheitas nos baldes dos lixos.
Em tempos foram elegantes e despreocupados;
chamavam uns pelos outros com as suas vozes ricas e profundas
e nós tratávamo-los como aves nobres e delicadas
e acolhíamo-los nos nossos jardins.
Como qualquer outro reino
o reino dos pássaros
também tem a sua multidão de pobres,
esses pobres públicos e urbanos
cujos excrementos branqueiam
telhas e calçadas,
que picam e picam
(mas raramente escolhem)
o que os seus bicos encontram:
os detritos diários
das ricas cidades italianas
ou aqui, em redor do edifício da Câmara -
sempre pelos passeios
ofendendo as pessoas enojadas
que se dirigem a um qualquer lugar.
Ninguém se lembra de como é que isto aconteceu,
o seu declínio, o voo
quase abandonado,
esses murmúrios queixosos,
as colheitas nos baldes dos lixos.
Em tempos foram elegantes e despreocupados;
chamavam uns pelos outros com as suas vozes ricas e profundas
e nós tratávamo-los como aves nobres e delicadas
e acolhíamo-los nos nossos jardins.
(Versão minha; original reproduzido em Alive together - new and selected poems, Louisiana State University Press, Baton Rouge, 1996, p. 23. Com esta versão assinalo os quatro anos de existência deste blogue, que hoje se comemoram).
4 anos a tombar do trapézio (4)
E mais uma mensagem de uma leitora (muito obrigado):
{anita}:
"Muitos parabéns! O Trapézio é um dos meus blogues favoritos, uma dádiva para quem gosta de ler boa poesia. Continuação de bom trabalho:)"
{anita}:
"Muitos parabéns! O Trapézio é um dos meus blogues favoritos, uma dádiva para quem gosta de ler boa poesia. Continuação de bom trabalho:)"
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
4 anos a tombar do trapézio (3)
Mensagens, comentários & um desafio de leitores (muito, muito obrigado):
Vasco Barbedo Nabais:
"Olá e parabéns pelos 4 anos.
Cada vez gosto mais de poesia à medida que vou lendo o seu blog (diariamente). É o único blog que conheço deste género, que tem um programa e que se comprometeu até ao fim (4 anos é muito). Vou descobrindo novos nomes e fico surpreendido: há tanta gente, de tantos países, que vive a poesia e o mundo, e eu nem sabia. Um dos poemas mais bonitos que conheço li-o aqui, de Jerzy Ficowski, que acaba lindamente: "mesmo que eu chegue atrasado / eu quero chegar a tempo." Só podia assim ser pela tradução que é. Parabéns!"
josé luís:
"parabéns!
leio sempre - e aqui descobri muitas palavras outras.
obrigado.
este é para si:
(e um desafio em tradução)
1(a
le
af
fa
ll
s)
one
l
iness
{e.e. cummings}"
Vasco Barbedo Nabais:
"Olá e parabéns pelos 4 anos.
Cada vez gosto mais de poesia à medida que vou lendo o seu blog (diariamente). É o único blog que conheço deste género, que tem um programa e que se comprometeu até ao fim (4 anos é muito). Vou descobrindo novos nomes e fico surpreendido: há tanta gente, de tantos países, que vive a poesia e o mundo, e eu nem sabia. Um dos poemas mais bonitos que conheço li-o aqui, de Jerzy Ficowski, que acaba lindamente: "mesmo que eu chegue atrasado / eu quero chegar a tempo." Só podia assim ser pela tradução que é. Parabéns!"
josé luís:
"parabéns!
leio sempre - e aqui descobri muitas palavras outras.
obrigado.
este é para si:
(e um desafio em tradução)
1(a
le
af
fa
ll
s)
one
l
iness
{e.e. cummings}"
Inteligência, coragem, amor, liberdade, ternura, delicadeza...
Wislawa Szymborska em português (europeu, e que eu conheça):
1) Paisagem com grão de areia, tradução de Júlio Sousa Gomes, Relógio D'Água, Lisboa, 1988.
2) Alguns gostam de poesia. Antologia, (poemas de Wislawa Szymborska e de Czeslaw Milosz), selecção, introdução e tradução de Elzbieta Milewska e de Sérgio das Neves, Cavalo de Ferro, Lisboa, 2004.
3) Instante, tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio Neves, Relógio D'Água, Lisboa, 2006.
1) Paisagem com grão de areia, tradução de Júlio Sousa Gomes, Relógio D'Água, Lisboa, 1988.
2) Alguns gostam de poesia. Antologia, (poemas de Wislawa Szymborska e de Czeslaw Milosz), selecção, introdução e tradução de Elzbieta Milewska e de Sérgio das Neves, Cavalo de Ferro, Lisboa, 2004.
3) Instante, tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio Neves, Relógio D'Água, Lisboa, 2006.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
4 anos a tombar do trapézio (2)
Parte de uma mensagem e uma tradução de José Carlos Barros:
"(...)
Sou amigo de um poeta cubano (Edel Morales) cuja poesia muito particularmente admiro. O Edel, já há uns tempos, pediu-me que lhe traduzisse um poema. É o que te envio em resposta ao teu desafio: o original e a tradução de "Viendo los autos pasar hacia occidente".
(...)"
Vendo os automóveis a passar em direcção do Ocidente
As ruas das pequenas cidades do centro de Cuba,
habitualmente buliçosas e doces,
ficam vazias nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Os estudantes tinham partido à descoberta do mundo
e uma paz, uma estranha e larga ausência,
atravessa as paredes e entra nos edifícios.
Os clubes, as casas de cultura, os campos desportivos
assemelham-se a uma cena, cuidadosamente preparada,
que espera o regresso dos actores para a continuação das filmagens.
Nas pequenas cidades do centro de Cuba
tudo é espera e ausência nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Noites de fevereiro na esquina deserta de Libertad e Paseo
vendo os automóveis a passar na direcção do Ocidente.
Como quem vê uma rapariga de pele muito limpa e cabelos negros
passar, abrindo o desejo, na direcção de outro homem.
*****
Viendo los autos pasar hacia occidente
En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
las calles, habitualmente bulliciosas y dulces,
se quedan vacías en los meses de invierno.
Yo he vivdo esa pesada quietud.
Los esudiantes se han marchado a descubrir el mundo
y una paz, una extraña y larga ausencia,
llega hasta las paredes y penetra al interior de los edificios.
Los clubes, las casas de cultura, los campos deportivos,
semejan un set, cuidadosamente preparado,
que espera el regreso de los actores para continuar la filmación.
En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
todo es ausencia y espera en los meses de invierno.
Yo he vivido esa pesada quietud.
Noches de febrero en la esquina vacía de Libertad y Paseo,
viendo los autor pasar hacia Occidente.
Como quien ve a una muchacha de piel muy limpia y cabellos negros
pasar gustosa hacia otro hombre.
Poema de Edel Morales; tradução de José Carlos Barros.
(Muito obrigado).
"(...)
Sou amigo de um poeta cubano (Edel Morales) cuja poesia muito particularmente admiro. O Edel, já há uns tempos, pediu-me que lhe traduzisse um poema. É o que te envio em resposta ao teu desafio: o original e a tradução de "Viendo los autos pasar hacia occidente".
(...)"
Vendo os automóveis a passar em direcção do Ocidente
As ruas das pequenas cidades do centro de Cuba,
habitualmente buliçosas e doces,
ficam vazias nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Os estudantes tinham partido à descoberta do mundo
e uma paz, uma estranha e larga ausência,
atravessa as paredes e entra nos edifícios.
Os clubes, as casas de cultura, os campos desportivos
assemelham-se a uma cena, cuidadosamente preparada,
que espera o regresso dos actores para a continuação das filmagens.
Nas pequenas cidades do centro de Cuba
tudo é espera e ausência nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Noites de fevereiro na esquina deserta de Libertad e Paseo
vendo os automóveis a passar na direcção do Ocidente.
Como quem vê uma rapariga de pele muito limpa e cabelos negros
passar, abrindo o desejo, na direcção de outro homem.
*****
Viendo los autos pasar hacia occidente
En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
las calles, habitualmente bulliciosas y dulces,
se quedan vacías en los meses de invierno.
Yo he vivdo esa pesada quietud.
Los esudiantes se han marchado a descubrir el mundo
y una paz, una extraña y larga ausencia,
llega hasta las paredes y penetra al interior de los edificios.
Los clubes, las casas de cultura, los campos deportivos,
semejan un set, cuidadosamente preparado,
que espera el regreso de los actores para continuar la filmación.
En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
todo es ausencia y espera en los meses de invierno.
Yo he vivido esa pesada quietud.
Noches de febrero en la esquina vacía de Libertad y Paseo,
viendo los autor pasar hacia Occidente.
Como quien ve a una muchacha de piel muy limpia y cabellos negros
pasar gustosa hacia otro hombre.
Poema de Edel Morales; tradução de José Carlos Barros.
(Muito obrigado).
Etiquetas:
Do trapézio,
Edel Morales,
José Carlos Barros,
Leitores
4 anos a tombar do trapézio (1)
Comentários e mensagens de leitores (muito obrigado a todos):
Amélia:
"Bastará dizer-lhe que o seu blogue é um dos meus preferidos que leio diariamente? Gosto das suas traduções, ainda que tantas vezes não possa confrontá-las com os originais. E gosto de tantos poetas que desconhecia e me tem dado a conhecer. Obrigada."
Neusa:
"Tantos poemas que li, imagens que vi, revelações, com os quais me identifiquei. Obrigada."
Carla Diacov:
"Parabéns e muitos posts de vida!!!"
Daniel Ferreira:
"Parabéns pelos quatro anos de vida e pela lufada de ar fresco que, no que toca à tradução, trouxeste à poesia portuguesa na internet. Muito pessoalmente e para não fechar a questão ao universo virtual, pela machadada no classicismo e na seriedade sisuda divulgada pelo universo literário português até então. Ou seja, obrigado por acabares com o autismo e pela variedade enquanto causa da consequente qualidade, pela possibilidade de poder conhecer outros autores e outro tipo de registos, abriste sem dúvida novos horizontes. Por tudo isso, muito mais e por o que está para vir: continuação e bons tombos. ;)
O mais sincero dos abraços."
Amélia:
"Bastará dizer-lhe que o seu blogue é um dos meus preferidos que leio diariamente? Gosto das suas traduções, ainda que tantas vezes não possa confrontá-las com os originais. E gosto de tantos poetas que desconhecia e me tem dado a conhecer. Obrigada."
Neusa:
"Tantos poemas que li, imagens que vi, revelações, com os quais me identifiquei. Obrigada."
Carla Diacov:
"Parabéns e muitos posts de vida!!!"
Daniel Ferreira:
"Parabéns pelos quatro anos de vida e pela lufada de ar fresco que, no que toca à tradução, trouxeste à poesia portuguesa na internet. Muito pessoalmente e para não fechar a questão ao universo virtual, pela machadada no classicismo e na seriedade sisuda divulgada pelo universo literário português até então. Ou seja, obrigado por acabares com o autismo e pela variedade enquanto causa da consequente qualidade, pela possibilidade de poder conhecer outros autores e outro tipo de registos, abriste sem dúvida novos horizontes. Por tudo isso, muito mais e por o que está para vir: continuação e bons tombos. ;)
O mais sincero dos abraços."
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
4 anos a tombar do trapézio
Caríssimos leitores,
Este blogue faz 4 anos no próximo dia 4 de fevereiro. Gostava de comemorar a data convosco e, por isso, convido-vos a enviarem-me comentários sobre a tradução de poesia ou sobre este blogue, listas de poemas e de poetas preferidos, sugestões de leitura, críticas, traduções, desenhos, fotografias, em suma, o que entenderem que faz sentido publicar num blogue com as características deste. Tenciono publicar o que me enviarem para a caixa do correio ao longo da presente e da próxima semana.
Obrigado.
E um abraço para todos,
LP.
Este blogue faz 4 anos no próximo dia 4 de fevereiro. Gostava de comemorar a data convosco e, por isso, convido-vos a enviarem-me comentários sobre a tradução de poesia ou sobre este blogue, listas de poemas e de poetas preferidos, sugestões de leitura, críticas, traduções, desenhos, fotografias, em suma, o que entenderem que faz sentido publicar num blogue com as características deste. Tenciono publicar o que me enviarem para a caixa do correio ao longo da presente e da próxima semana.
Obrigado.
E um abraço para todos,
LP.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


.jpg)