A sua mulher. Durante quarenta anos ele pintou-a.
Uma e outra vez. O nu da última pintura
igual à jovem nudez da primeira. A sua mulher.
Tal como se recordava dela enquanto jovem. Como se ela o fosse.
A sua mulher no banho. Na sua cómoda
em frente ao espelho. Nua.
A sua mulher com as mãos debaixo dos seios,
olhando o jardim.
O sol concedendo cor e calor.
Todas as coisas vivas a florescer ali.
Ela jovem e trémula e tão desejável.
Quando ela morreu, ele pintou por mais algum tempo.
Algumas paisagens. Depois morreu.
E puseram-no junto dela.
A sua jovem mulher.
(Versão minha; original reproduzido em Good poems, selecção e introdução de Garrisson Keillor, Peguin Books, Nova Iorque, 2002, p. 146).
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