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terça-feira, 7 de abril de 2009

Paul Muldoon

Conhecer os britânicos



Conhecemos os britânicos no fim do inverno.
O céu era cor de alfazema

e a neve alfazema-azul.
Eu podia ouvir, muito lá em baixo,

o ruído de duas correntes unindo-se
(ambas outrora geladas)

e, não menos estranho,
ouvir-me a gritar em francês

para lá da clareira
da floresta. Nem o general Jeffrey Amherst

nem o coronel Henry Bouquet
tinham estômago para o nosso tabaco de salgueiro.

Quanto ao desacostumado
perfume quando o coronel sacudiu o seu lenço

de bolso: C'est la lavande,
une fleur mauve comme le ciel.

Deram-nos seis anzóis
e duas mantas bordadas com varíola.



(versão minha, a partir do original e da tradução para espanhol de Dámaso Lopez Garcia, reproduzidos em Indecisiones, introdução, tradução e notas de D. López Garcia, Visor, Madrid, 2004, pp. 50-51).

terça-feira, 10 de março de 2009

Paul Muldoon

Por que se foi Brownlee



Por que se foi Brownlee e para onde
É, ainda hoje, um mistério.
Se havia homem que deveria estar satisfeito,
Seria ele; quase um hectare de cevada,
Meio de batatas, quatro novilhos,
Uma vaca leiteira, uma casa de xisto.
A última vez que foi visto ia lavrar,
Numa clara madrugada de Março.

Ao meio-dia Brownlee era famoso:
Tinham encontrado tudo abandonado,
O último sulco por abrir, a parelha de cavalos
Pretos, como marido e mulher,
Alternando o peso ora numa pata ora
Noutra, olhando fixamente o futuro.



(versão minha, a partir do original e da tradução para espanhol de Dámaso López Garcia, reproduzidos em Indecisiones, Visor Libros, Madrid, 2004, pp. 50-51).