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domingo, 7 de setembro de 2008

Samih al-Qasim

Como me transformei num artigo

 
Eles mataram-me uma vez 
Agora exibem o meu rosto infinitas vezes



 **** 


  Fim de um debate com um carcereiro 


Do postigo da minha estreita cela 
posso avistar árvores a sorrir-me, 
telhados repletos com a minha gente, 
janelas chorando e rezando por mim. 
Do postigo da minha estreita cela 
posso avistar a tua imensa cela. 



 **** 


  Eternidade 


 Folhas caem de quando em quando, 
No entanto o tronco do carvalho...    



**** 


Bilhetes de viagem 


No dia em que me matar 
O meu assassino encontrará no meu bolso 
Bilhetes de viagem 
Para a paz, 
Para os campos e a chuva, 
Para a consciência do povo. 

Peço-te: não os desperdices, por favor. 
Suplico-te, a ti que me mataste - Viaja.



(versões minhas a partir das traduções inglesas de Abdullah al-Udhari reproduzidas em Victims of a Map: a bilingual anthology of arabic poetry, SAQI, London, 2005, pp. 71, 77, 79 e 59).

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Samih al-Qasim

Confissão ao meio-dia



Plantei uma árvore
Desprezei o fruto
Queimei o tronco como lenha
Fiz um alaúde
E toquei uma melodia

Quebrei o alaúde
Perdi o fruto
Perdi a melodia
Chorei sobre a árvore



(versão minha a partir da tradução inglesa de Abdullah al-Udhari reproduzida em Victims of a Map: a bilingual anthology of arabic poetry, SAQI, London, 2005, p. 57).