Um dia reencontraremos as nossas pombas
e o amor e a beleza serão colhidos à mão.
O dia
em que o mínimo canto será um beijo
e cada pessoa um irmão para a outra.
O dia em que ninguém feche a sua porta,
o cadeado se converta em relíquia
e o coração seja suficiente para viver.
O dia em que o sentido de cada palavra seja desejar,
para que não procures a última palavra.
O dia em que a melodia de cada letra seja vida
para que eu não persiga a rima do meu último poema.
O dia em que cada lábio seja canção
para que o mínimo canto seja um beijo.
O dia em que chegues e fiques para sempre
e o amor se identifique com a beleza.
O dia em que voltaremos a atirar miolo de pão às nossas pombas.
Espero esse dia,
mesmo que cá não esteja.
(Versão minha a partir da tradução de Nazanín Amirián e de Ferran Fernández reproduzida em El viento nos llevará. Poesía persa contemporánea, Los libros de la frontera, Barcelona, 2ª edição corrigida, 2006, pp. 77-78).
1 comentário:
Também espero. Mesmo que toda a vida seja só esperar.
~CC~
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