terça-feira, 8 de abril de 2008

Li-Young Lee

Peço à minha mãe que cante



Ela começa, e a minha avó acompanha-a.
Mãe e filha cantam como jovens raparigas.
Se fosse vivo, o meu pai tocaria
o seu acordeão e balançaria como um barco.

Nunca estive em Pequim, ou no Palácio de Verão,
nem fiquei no grande Barco de Pedra a ver
a chuva a principiar sobre o Lago Kuen Ming, os veraneantes
a fugir pela relva fora.

Mas adoro ouvir tudo isto cantado;
como os nenúfares se enchem de chuva até
transbordarem, derramando água na água,
e voltam ao mesmo, e enchem-se com mais.

As duas mulheres começam a chorar.
Mas nem isto interrompe a sua canção.



(versão minha; original reproduzido in Edward Hirsch, Poet's choice, Harcourt, Orlando, 2007, pp. 241-242).

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