Mostrar mensagens com a etiqueta Óscar Hahn. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Óscar Hahn. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Óscar Hahn

Numa estação de Metro



Desventurados os que avistaram
uma rapariga no Metro

e se apaixonaram de repente
e a seguiram enlouquecidos

e a perderam para sempre entre a multidão

Porque serão condenados
a vaguear sem rumo pelas estações

e a chorar com as canções de amor
que os músicos ambulantes cantam nos túneis

E se calhar o amor não é mais do que isso:

uma mulher ou um homem que sai de uma carruagem
numa qualquer estação de Metro

e resplandece por uns segundos
e desaparece na noite sem nome



(versão minha; original reproduzido em Poemas de la era nuclear, Bartleby Editores, prólogo de Alexandra Domínguez, Madrid, 2008, p. 95).

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Óscar Hahn

Retrato de família iraquiana



O pai de turbante
e denso bigode negro
com os braços cruzados
À esquerda a sua esposa
com a túnica bordada
e o véu branco
Ahmad e Zainab
os dois filhos pequenos
de mãos dadas
Os avós sentados
em cadeirões de verga
Todos a sorrir
numa fotografia meio chamuscada
encontrada entre os escombros
da sua casa
depois do bombardeamento



(versão minha; original reproduzido em Poemas de la era nuclear, Bartleby Editores, prólogo de Alexandra Domínguez, Madrid, 2008, p. 46).

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Óscar Hahn

Nunca se sabe



Num bairro qualquer
no trabalho
na universidade
há um indivíduo que parece
perfeitamente normal
um bom cidadão
um estudante entre outros
um chefe de família
que cumpre os seus deveres
e dorme tranquilo
Ele não sabe
que noutras condições
noutro tempo
noutras circunstâncias
poderia ser
um informador
da polícia secreta
um censor de livros
um torturador
No entanto está aí
mesmo ao pé de ti
ou talvez sejas tu próprio
aquele que lê este poema
ou aquele que o escreve



(versão minha; original reproduzido em Poemas de la era nuclear, Bartleby Editores, Prólogo de Alexandra Domínguez, Madrid, 2008, p. 43).