Eis aqui a chuva igual e as suas ervas daninhas
O sal, o mar desfeito...
Apaga-se o anterior e logo se escreve:
Este mar convexo, os seus enraízados
e migratórios costumes,
já serviu algumas vezes para se fazer mil poemas.
(A cadela infecta, a sarnosa poesia,
variedade risível da neurose,
preço que alguns homens pagam
por não saber viver.
A doce, eterna, luminosa poesia.)
Talvez não seja agora o momento:
a nossa época
deixou-nos a falar sozinhos.
(Versão minha; original reproduzido em Juegos de manos - Antología de la poesía hispanoamericana de mitad del siglo XX: organização de Ángel Esteban e Ana Gallego Cuiñas, Visor, Madrid, 2008, p. 838).