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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Jovan Hristic

[Naquela noite juntaram-se todos na mais alta torre...]



Naquela noite juntaram-se todos na mais alta torre,
Astrónomos, matemáticos e um dos magos da Síria,
Para lerem nas estrelas a glória do Rei dos Reis
E demonstrar a sua imortalidade com a ajuda da geometria.

Antes do nascer do dia, menearam as cabeças em concordância
Com as suas interpretações. A resposta das estrelas
Foi positiva. As trombetas anunciaram
A glória do Rei dos Reis sob o sol nascente.

No pálacio, com a mesa posta para o banquete, eles são esperados
Por aqueles sobre os quais as estrelas se pronunciaram esta noite
E cujo futuro transborda agora como vinho novo
Guardado nos cálices dourados preparados para os brindes.

Só alguns jovens, recentemente especializados em geometria,
Não se mostraram totalmente convencidos com o que foi lido nas estrelas,
Pois as estrelas respondem sempre aos humanos,
Mas a que questão só elas mesmas sabem.



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Charles Simic reproduzida em The horse has six legs - An anthology of serbian poetry; organização, tradução e introdução de Charles Simic, Graywolf Press, Saint Paul, 1992, p. 43).

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Jovan Hristic

Bárbaros



Finalmente os mensageiros chegaram e anunciaram:
Vêm aí os bárbaros.
Começaram logo os preparativos para os receberem na cidade.
Jovens exaltados aclamam já os seus nomes
E apressam-se a celebrar os novos deuses.
Não defenderam os poetas que eles eram uma espécie de solução?
Agora escrevem poemas que os glorificam
Esperando por esse dia em que os declamarão publicamente
Enquanto os bárbaros - fortemente armados - os admirarão
E aplaudirão e aprenderão de cor esses versos.
Os poetas: vêem já os seus poemas em grandes caracteres
Colocados nos pórticos dos templos,
De onde as deidades impotentes foram expulsas,
E as livrarias cheias com os seus livros,
Substituindo as histórias que já não dizem nada a ninguém.

E no entanto os poetas sabem que serão os primeiros a ser enforcados em público,
Juntamente com os jovens que correram para abrir os portões
Da cidade à entrada desses que foram ansiosamente esperados,
Pois os bárbaros são bárbaros e não são solução para coisa nenhuma.



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Charles Simic reproduzida em The horse has six legs - An anthology of serbian poetry; organização, tradução e introdução de Charles Simic, Graywolf Press, Saint Paul, 1992, p. 122).

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Jovan Hristic

Na grande biblioteca



Na grande biblioteca os sábios sentam-se e lêem livros.
Eu sento-me no meio deles, mas não sei porquê.

De tempos a tempos um deles passa pelas brasas
E depois levanta-se para ir beber um café.

Eu deixo-me estar visto que sou o único entre eles que não sabe
Por que lê os livros empilhados à sua frente na secretária.

Lá fora o sol brilha, os esquilos saltitam no relvado
E trepam pelas árvores. Eu sento-me e leio.

Todos temos que fazer alguma coisa. As pessoas passam na rua.
Têm coisas para fazer. Eu leio e leio
visto que não tenho mais nada para fazer, e o tempo passa devagar.



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Charles Simic reproduzida em The Horse Has Six Legs - An anthology of serbian poetry, organização e tradução de Charles Simic, Graywolf Press, Saint Paul, 1992, p. 121).