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sexta-feira, 24 de junho de 2022

Izet Sarajlic

 Comer uvas no autocarro para Skojé com a poetisa espanhola Clara Janés



Comer uvas no autocarro para Skojé com a poetisa espanhola Clara Janés,
passear à meia-noite pela rua Knez Mihailova com Stevan Raicovic,
tomar o primeiro café da manhã em Novi Sad com Mladen Leskovac,
abrir a caixa do correio e encontrar uma carta de Bulat Okudzhava,
cantar depois de uma leitura de poesia em Trebinje com Manolis Anagnostakis,
todas estas e mais mil coisas
só podem ser disfrutadas nesta vida.
Aqueles que afirmam que a vida é o pior que nos podia acontecer
não entenderão nunca a alegria que lateja neste poema.
Não escrevo para eles.



(Versão minha. Fonte: Una calle para mi nombre; selecção e prólogo de Juan Vicente Piqueras, Ayuntamiento de Lucerna, 2ª edição, 2003, p. 53).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Izet Sarajlic

Herança



Os nossos antepassados deixaram-nos como herança
Schönbrunns,
Palácios de Inverno,
Pontes Carlos,
Praças de São Marcos,
e nem vou mencionar
os gigantescos Palácios de Westminster
nem
os Dramas de Shakespeare,
os romances de Tolstoi,
a suite nº 3 de Bach,

mas que deixaremos nós
aos nossos descendentes
como herança?

Snack-bares,
bombas de gasolina,
garagens,

e um ou outro anti-romance.




(versão minha a partir da tradução inglesa de Frans Vincke-Germain Droogenbroodt que pode ser lida aqui.)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Izet Sarajlic

Desde há tempos



Desde há tempos
que não me interessa em absoluto a poesia.

Interessa-me a vida.

Os piores lugares em poesia são, na realidade, a poesia.

Assim que a vida irrompe na poesia,
os versos, quase sem a intervenção do autor,
convertem-se em poesia.



(versão minha, a partir da tradução do servo-croata para o espanhol de Juan Vicente Piqueras que pode ser lida aqui).