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domingo, 16 de maio de 2010

Nizar Qabbani

Quando te vejo



Quando te vejo
Perco a esperança na poesia,
Como se apenas tu me pudesses criar.
És bela
E se penso na tua beleza
A minha respiração fraqueja,
A minha língua bloqueia,
As minhas palavras falham.
Salva-me de tudo isto. Sê menos bela
E permite-me reecontrar-me com a minha inspiração.
Sê uma mulher que se maquilha e perfuma,
Que engravida e dá à luz,
Sê como as outras mulheres
E reconcilia-me com a linguagem
Para que eu possa voltar a escrever.



(Versão minha a partir desta tradução de A. Z. Foreman e da tradução de Bassam K. Frangieh e Clementina R. Brown, reproduzida em Arabian love poems, A Three Continents Book, Lynne Rienner Publishers, London, 1998, p. 97).

sábado, 27 de março de 2010

Nizar Qabbani

Eu nunca fui rei



Eu nunca fui rei
Nem provenho de uma família real
Mas pensar que agora me pertences
Dá-me uma sensação
De poder sobre os cinco continentes,
De controlo da chuva
E dos carros triunfais do vento,
De posse de milhares de acres
Sobre o sol,
De domínio sobre povos
Que nunca antes foram dominados,
E de prazer de brincar com as estrelas do sistema solar
Como uma criança brinca com conchas.
Eu nunca fui rei
Nem quero ser;
Mas quando sinto que adormeces
Na palma da minha mão
Imagino
Que sou um Czar da Rússia,
Um Xá da Pérsia.



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Bassam K. Frangieh e Clementina R. Brown reproduzida em Arabian Love Poems, A Three Continents Book, Lynne Rienner Publishers, Londres, 1998, p.71).

quarta-feira, 3 de março de 2010

Nizar Qabbani

Quando encontrares um homem



Quando encontrares um homem
Que transforme
Cada partícula tua
Em poesia,
Que faça de cada um dos teus cabelos
Um poema,
Quando encontrares um homem
Capaz,
Como eu,
De te lavar e adornar
Com poesia,
Hei-de implorar-te
Que o sigas sem hesitação
Pois o que importa
Não é que sejas minha ou dele
Mas sim da poesia.



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Bassam K. Frangieh e Clementina R. Brown, reproduzida em Arabian Love Poems, A three Continents Book, Lynne Rienner Publishers, Londres, 1998, p. 135).

segunda-feira, 1 de março de 2010

Nizar Qabbani

Eu conquisto o universo com palavras



Eu conquisto o universo com palavras.
Desonro a língua materna,
A sintaxe, a gramática,
Os verbos e os nomes,
Violo a virgindade das coisas
E crio uma língua nova
Que esconde o segredo do fogo
E o segredo da água.
Ilumino a nova era
E detenho o tempo nos teus olhos,
Apagando a linha que separa
Este instante da passagem dos anos.



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Bassam K. Frangieh e Clementina R. Brown, reproduzida em Arabian Love Poems, A Three Continents Book, Lynne Rienner Publishers, Londres, 1998, p. 223).

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Nizar Qabbani

Eu não sou professor



Eu não sou professor
Para te ensinar a amar,
Também os peixes não precisam de um professor
Que os ensine a nadar
E os pássaros de um professor
Que os ensine a voar.
Nada pelos teus próprios meios.
Voa pelos teus próprios meios.
O amor não tem manuais
E os maiores amantes da história
Não sabiam ler.



(versão minha a partir da tradução de A. Z. Foreman publicada aqui e da tradução de Bassam K. Frangieh e Clementina R. Brown reproduzida em Nizar Kabbani, Arabian Love Poems, A Three Continents Book, Lynne Rienner Publishers, London, 1998, p. 99).