Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Teresa Andruetto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Teresa Andruetto. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Maria Teresa Andruetto

Maca



Estou de cama
(a enfermeira
chama-se Erminda)
Pela janela que dá para o pátio
a minha irmã passa numa maca.
Passam também as amoras, o verão,
as cigarras. Há-de ser Outubro,
como esta tarde, ou talvez Novembro,
e o calor sufoca, porque o meu pai
que chega do trabalho desaperta,
coisa estranha, a gravata. Eu estou
de cama. E a Ana que passa alegre,
viva, sobre a maca.
Terá sido de vidro o ar,
como esta tarde.



(Versão minha a partir do original e da tradução francesa reproduzidos em Voix d' Argentine / voces argentinas, selecção de Claudia Schvartz e Gerardo Manfredi, tradução para francês de Nicole e Émile Martel, Leviatán (Buenos Aires), Écrits des Forges (Trois-Rivières / Québec) e Le Temps des Cerises (Pantin), 2009, p. 16).

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Maria Teresa Andruetto

Segunda-feira



Às segundas-feiras o meu pai chegava tarde
e trazia chocolates amargos.
Na cama grande, a mamã lia-nos
A Cabana do Pai Tomás.
Nós gostávamos das segundas-feiras,
gostávamos de chorar por causa das tristezas
de romance, de sofrer pelos negros
enquanto comíamos chocolates
Suchard.



(Versão minha a partir do original e da tradução francesa reproduzidos em Voix d' Argentine / voces argentinas, selecção de Claudia Schvartz e Gerardo Manfredi, tradução para francês de Nicole e èmile Martel, Leviatán (Buenos Aires), Écrits des Forges (Trois-Rivières/Québec) e Le temps des Cerises (Pantin), 2009, p. 22).

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Maria Teresa Andruetto

Visita



Hoje a minha mãe veio visitar-me
e caminhamos as duas por estas ruas.
Falamos do meu irmão,
dos filhos, das raparigas do Sul,
do meu cunhado. A dado passo eu critiquei
o governo e ela afirmou a seguir
"É um país tão grande!". Não quer
que me queixe: "Este país generoso
acolheu o teu pai!", e seguimos as duas
por uma zona de tristeza, em silêncio,
até que se detém e diz: "ontem
fiz doce de pêssego" e eu digo
que falaram do meu livro
no jornal.



(Versão minha a partir do original e da tradução francesa de Nicole e Émile Martel reproduzida em Voix d' Argentine / voces argentinas, selecção de Claudia Schvartz e Gerardo Manfredi, Leviatán (Buenos Aires), Écrits des Forges (Trois-Rivières / Québec) e Le Temps des Cerises (Pantin), 2009, p. 28).